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11 de set de 2010

Alfabetização Matemática

Alfabetização Matemática

Alfabetizar-se, na escola e fora dela, é compreender as linguagens que o mundo apresenta, para que haja uma comunicação e interação do sujeito com a realidade em que vive.

Ser alfabetizado em Matemática é compreender o que se lê e escreve a respeito das noções de úmeros e operações, espaço e forma, grandezas e medidas e tratamento da informação.

A criança que ingressa na escola traz conhecimentos matemáticos informais que devem ser considerados pelo professor ao organizar sua proposta de trabalho.

A escola marca a transição de um contexto exclusivamente familiar para um outro influenciado pela cultura, com outros códigos e possibilidades de relação e a Matemática surge como porta de entrada para novas competências e estratégias próprias do mundo escolar.

Segundo Piaget, o conhecimento lógico-matemático é uma construção do sujeito e decorre de uma necessidade; ao tentar realizar uma ação, ou encontrar uma explicação para o que ocorre, o sujeito encontra resistência na realidade (situação-problema). Para enfrentá-la, precisa modificar seus conhecimentos anteriores, pois do contrário não poderá resolver sua dificuldade. Por isso o conhecimento é um processo de criação, e não de repetição. A resolução de situações-problema é, portanto, uma estratégia que orienta e provoca aprendizagens, visto que proporciona contextos significativos de pesquisa e exploração, a partir dos quais se podem aprender conceitos, idéias e procedimentos matemáticos.

A vivência de jogos, músicas, brincadeiras envolvendo o corpo, poemas, contação de histórias da literatura infantil, situações que surgem em classe, tendo como foco de observação a enumeração, as relações estabelecidas entre os números, à relação entre quantidades e símbolos e as idéias das operações são atividades que favorecem a aprendizagem significativa da Matemática.

A criança percebe os fatos através dos sentidos e de manipulações práticas. Porém, o uso do material só tem significado real na prática pedagógica, e, portanto, é “concreto” para a criança, quando ele se constitui num instrumento de apoio para a ação desta criança no processo de produção e reinvenção do saber.

Para as crianças pequenas, os jogos e brincadeiras são as ações que elas repetem sistematicamente,  mas que possuem um sentido funcional, isto é, são fontes de significados, já que possibilitam compreensão, geram satisfação, formam hábitos que se estruturam num sistema. O jogo torna-se uma estratégia didática quando as situações são planejadas e orientadas pelo professor visando uma finalidade de aprendizagem, isto é, de proporcionar à criança algum tipo de conhecimento, alguma relação ou atitude.

É importante que a criança perceba que existe uma relação entre aquilo que ela faz – ao brincar, ao jogar,  o fazer compras num mercado, ao assistir televisão – e a Matemática que o professor apresenta em sala de aula.

A função do professor é oferecer diferentes possibilidades para a formação dos conceitos matemáticos através do estímulo, das situações-problemas e da solicitação de argumentos por parte dos alunos. Também
pode estimular a escrita de textos para explicar resultados e estratégias, mesmo que em conjunto com alguns
símbolos matemáticos, para que a linguagem matemática não se transforme em um código indecifrável.

Estudos da neurociência apontam que crianças adoram surpresas e o cérebro se interessa pelas alterações no mundo ao nosso redor, pois tudo que é desconhecido estimula com particular intensidade as redes neuronais e, por isso mesmo, se deposita muito facilmente na memória, como informação.

Assim, quanto mais recursos forem empregados na transmissão de uma informação, tanto melhor ela se fixará na memória de longa duração. Portanto, é mais fácil aprender com a colaboração do maior número possível de órgãos dos sentidos. O humor e a emoção também influenciam os sistemas neuronais que determinam quais informações serão armazenadas.

O professor pode se valer da História da Matemática para explicar que os conceitos matemáticos foram desenvolvidos a partir da necessidade dos diferentes povos e culturas. A calculadora e os computadores também são ferramentas que facilitam a aprendizagem matemática.

A avaliação, como parte integrante do processo de ensino e de aprendizagem, deve permitir uma reflexão contínua sobre a prática, sobre as estratégias utilizadas e sobre a necessidade de retomada de conteúdos, possibilitando, por meio de atividades individuais e de todo o grupo, aprendizagens cada vez mais significativas.

Texto elaborado pelas assessoras pedagógicas: Adriana Zini, Marinês Feiten da Silva e Teresinha Manica Salvador.

Bibliografia:

RANGEL, Ana Cristina S. Educação Matemática e a Construção do Número Pela Criança. Porto Alegre: Artmed, 1992.

DUHALDE, Maria Elena. Encontros iniciais com a matemática / Maria Elena Duhalde e Maria Teresa Gonzáles Cuberes-Porto  Alegre: Artmed, 1998.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. - Brasília: MEC/SEF, 1997.

SMOLE, Kátia Stocco. Ler, escrever e resolver problemas: habilidades básicas para aprender matemática. - Porto Alegre: Artmed, 2001.

Revista Mente & Cérebro – Edição especial – Como o cérebro aprende- Nº 8 - Ediouro- São Paulo, 2007.

Revista Mente & Cérebro – Coleção Memória da Pedagogia – Jean Piaget - Nº 1 -Ediouro- São Paulo, 2006.

TOSATTO, Carla Cristina. Hoje é dia de Matemática:2º ano,1ªsérie/Carla Cristina Tosatto, Cláudia Miriam Tosatto, Edilaine do

Pilar F. Peracchi – Curitiba: Ed. Positivo; 2007.

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