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29 de nov de 2016

FACULDADE SUMARÉ

Claudia Fernanda de Mello   

Filosofia


            Pedagogia Progressista

            A pedagogia progressista parte de uma análise da realidade social de forma crítica, tendo como finalidades a transformação sociopolítica da educação. Conflitante com a o sistema essa pedagogia não tem como regulamentar-se em uma sociedade capitalista, dessa forma torna-se objeto de luta dos educandos juntamente com outras práticas sociais.

Manifesta-se em três tendências:

         Tendência progressista libertadora: também conhecida como pedagogia de Paulo Freire.
         Tendência progressista  libertária: ligada diretamente aos defensores da autogestão pedagógica.
         Tendência progressista  crítico-social dos conteúdos: que prioriza os conteúdos na confrontação com as realidades sociais de maneira diferenciada das pedagogias anteriores.


Tendência progressista libertária

Principios Gerais:
Anarquista: usencia de governo;
Autogestão: o governo em sí, a pessoa mandar em sí mesmo e assim viver em paz;
Liberdade total: alguns pensam que é confusão, pois tem medo da liberdade.
Autonomia.

Pensamento em preparar os alunos a viverem em uma sociedade totalmente livre.

            Na tendência libertária, o princípio fundamental é iniciar mudanças institucionais, tendo como população alvo os níveis mais empobrecidos que irão se expandindo até atingir dado o sistema exercendo assim uma transformação na personalidade do aluno.

            A pedagogia libertária tem um sentido expressamente político quando coloca o sujeito como produto do meio social e que a aquisição do conhecimento individualizado só ocorre na coletividade, tendo como idéia principal e mais conhecida entre nós a “pedagogia institucional”, objetivando a resistência contra o sistema burocrático que atua na ação de dominação do Estado, retirando a autonomia do processo educacional como um todo.

            O conhecimento sistemático não é de grande importância para esta pedagogia, já que a matéria é apresentada para o aluno, porém não lhe é exigida. O que realmente importa são as experiências vividas pelo grupo social principalmente ocorrida de forma crítica, esse sim é o verdadeiro conhecimento, é ele que proporciona respostas necessárias e condizentes às exigências sociais Está inserida na pedagogia libertária quase todas as pedagogias antiautoritárias em educação, onde se encontram a anarquista, psicanalítica, dos sociólogos e dos professores progressistas.

            Nesta tendência, há uma transformação da personalidade num sentido libertário, as matérias das disciplinas são apresentadas porém não exigidas, a aprendizagem se dá de maneira informal através de grupos de estudo. O professor é um orientador no processo ensino/aprendizagem o aluno tem liberdade de criação, não há imposição.

Papel da escola: Exercer modificação na personalidade do aluno para promover a autogestão;
Ensinar a se virar sozinho;
Aprender a conviver numa sociedade onde não há lider.
            A pedagogia libertária espera que a escola exerça uma transformação na personalidade dos alunos num sentido libertário e autogestionário. A idéia básica é introduzir modificações institucionais, a partir dos níveis subalternos que, em seguida, vão contaminando todo o sistema. A escola instituirá, com base na participação grupal, mecanismos institucionais de mudança (assembléias, conselhos, eleições, reuniões, associações, etc.), de tal forma que o aluno, uma vez atuando nas instituições “externas”, leve para lá tudo o que aprendeu. Outra forma de atuação de pedagogia libertária, correlata à primeira, é – aproveitando a margem de liberdade do sistema – criar grupos de pessoas com princípios educativos autogestionários (associação, grupos informais, escolas autogestionárias). Há, portanto, um sentido expressamente político, à medida que se afirma o indivíduo como produto do social e que o desenvolvimento individual somente se realiza no coletivo. A autogestão é, assim, o conteúdo e o método; resume tanto o objetivo pedagógico quanto o político. A pedagogia libertária, na sua modalidade mais conhecida entre nós, a pedagogia institucional, pretende ser uma forma de resistência contra a burocracia como instrumento da ação dominadora do Estado, que tudo controla (professores, programas, provas,etc.), retirando a autonomia.


Conteúdos de ensino: Aprenderá o que quiser;
É disponível, mas não obrigatório;
Dar o conteúdo ao aluno caso ele queira aprender;
Interesse e necessidade do aluno, especialmente sua própria realidade, o que esta ao seu redor.
            As matéria são colocadas à disposição do aluno, mas não são exigidas. São uns instrumentos a mais, porque importante é o conhecimento que resulta das experiências vividas pelo grupo, especialmente a vivência de mecanismo de participação crítica.           Conhecimento aqui não é a investigação cognitiva do real, para extrair dele um sistema de representações mentais, mas a descoberta de respostas às necessidades e às exigências da vida social. Assim, os conteúdos propriamente ditos são os que resultam de necessidades e interesses manifestos pelo grupo e que não são, necessária nem indispensavelmente, as matérias de estudo.

Método de ensino: O aprendizado será em grupo, aprendem entre o grupo (alunos), eles que vão elaborar e escolher o que aprendem.
            É na vivência grupal, na forma de autogestão, que os alunos buscarão encontrar as bases mais satisfatórias de sua própria “instituição”, graças à sua própria iniciativa e sem qualquer forma de poder. Trata-se de “colocar nas mãos dos alunos tudo o que for possível: o conjunto da vida, as atividades e a organização do trabalho no interior da escola (menos a elaboração dos programas e a decisão dos exames que não dependem nem dos docentes, nem dos alunos)”. Os alunos têm liberdade de trabalhar ou não, ficando o interesse pedagógico na dependência de suas necessidades ou das do grupo.

            O progresso da autônima, excluída qualquer direção de fora do grupo, se dá num crescendo: primeiramente a oportunidade de contatos, aberturas, relações informais entre os alunos. Em seguida, o grupo começa a se organizar, de modo que todos possam participar de discussões, cooperativas, assembléias, isto é, diversas formas de participação e expressão pela palavra; quem quiser fazer outra coisa, ou entra em acordo com o grupo, ou se retira. No terceiro momento, o grupo se organiza de forma mais efetiva e, finalmente, no quarto momento, parte para a execução do trabalho.

Relação professor-aluno: Não diretiva, o aluno faz o que quer;
O professor também faz o que quer;
O professor não é obrigado a dar respostas, seu silêncio pode influenciar o grupo a buscar resposta.
            A pedagogia institucional visa “em primeiro lugar, transformar a relação professor-aluno no sentido da não-diretividade, isto é, considerar desde o início a ineficácia e a nocividade de todos os métodos à base de obrigações e ameaças”. Embora professor e aluno sejam desiguais e diferentes, nada impede que o professor se ponha a serviço do aluno, sem impor suas concepções e idéias, sem transformar o aluno em “objeto”. O professor é um orientador e um catalizador, ele se mistura ao grupo para uma reflexão em comum.

            Se os alunos são livres frente ao professor, também este o é em relação aos alunos (ele pode, por exemplo, recusar-se a responder uma pergunta, permanecendo em silêncio). Entretanto,essa liberdade de decisão tem um sentido bastante claro; se um aluno resolve não participar, o faz porque não se sente integrado, mas o grupo tem responsabilidade sobre este fato e vai se colocar a questão; quando o professor se cala diante de uma pergunta, seu silêncio tem um significado educativo que pode, por exemplo, ser uma ajuda para que o grupo assuma a resposta ou a situação criada.
No mais, ao professor cabe a função de “aconselheiro” e, outras vezes, de instrutor-monitor à disposição do grupo. Em nenhum momento esses papéis do professor se confundem com o de “modelo”, pois a pedagogia libertária recusa qualquer forma de poder ou autoridade.


Pressupostos de aprendizagem: Não formal;
Em grupo, uso prático do conhecimento;
Não tem avaliação.
            As formas burocráticas das instituições existentes, por seu traço de impessoalidade, comprometem o crescimento pessoal. A ênfase na aprendizagem informal, via grupo, e a negação de toa forma de repressão visam favorecer o desenvolvimento de pessoas mais livres. A motivação está, portanto, no interesse em crescer dentro da vivência grupal, pois supõe-se que o grupo devolva a cada um de seus membros a satisfação de usas aspirações e necessidades.
            Somente o vivido, o experimentado é incorporado e utilizável em situações novas. Assim, o critério de relevância do saber sistematizado é seu possível uso prático. Por isso mesmo, não faz sentido qualquer tentativa de avaliação da aprendizagem, ao menos em termos de conteúdo.

Manifestação: Principal é Francisco Ferrer. Forte influencia ás escolas anarquistas do começo do século XX em São Paulo.
            E também Mauricio Tragtenberg: Acabar com a escola pública, só servem para manter o poder. Forte crítica as universidades, escolas.

Outras tendências pedagógicas correlatas: A pedagogia libertária abrange quase todas as tendências autiautoritárias em educação, entre elas, a anarquista, a psicanalista, a dos sociólogos, e também a dos professores progressistas. Embora Neill e Rogers não possam ser considerados progressistas (conforme entendemos aqui), não deixam da influenciar alguns libertários, como Lobrot. Entre os estrangeiros devemos citar Vasquez e Oury entre os mais recentes, Ferrer y Guardiã entre os mais antigos. Particularmente significativo é o trabalho de C. Freinet, que tem sido muito estudado entre nós, existindo inclusive algumas escolas aplicando seu método.

A escola progressista libertária nega qualquer forma de repressão e valoriza a produção do aluno, considera relevante o aprendizado que terá um uso prático. Consideramos essas características, fundamentais para qualquer método ou sistema de ensino.

Entre os estudiosos e divulgadores da tendência libertária pode-se citar Maurício Tragtenberg, apesar da tônica de seus trabalhos não ser propriamente pedagógica, mas de crítica das instituições em favor de um projeto autogestionário.


Conclusão

            Aqui brevemente foram delineadas a história, as características e a proposta da tendência pedagógica libertária.

            Muito mais poderia ser aprofundado para que a compreensão pedagógica não seja limita por preconceitos como, por exemplo, acerca da anarquia e do movimento operário. Também há possibilidades de aprofundamento em relação às diferenças entre o Brasil e a Europa na percepção e na prática das propostas libertárias.

            Outro desafio que permanece seria de como conceber os princípios autogestionários. Afinal, como se afirma no pensamento libertário, a transformação precisa ser desejada. Como fomentar esse desejo, se, muitas vezes, a pessoa explorada apenas sonha em inverter a lógica, tornando-se exploradora? Como romper com as estruturas institucionais burocráticas? Como romper com o capitalismo? Existe, na  tendência pedagógica libertária, um autêntico desejo por mudanças. Assim, a tendência libertária é uma proposta que não é omissa e nem neutra. Talvez, a sociedade atual não possua um objetivo coletivo, algo fundamental a uma Pedagogia que se considere libertária.

            A educação formal é considerada nesta tendência um instrumento homogenizador e impessoal, que compromete o crescimento dos educandos enquanto seres sociais. Por isso é viabilizado a aprendizagem informal via grupo, é dentro desta vivência que cada um dos membros do grupo irão suprir seus anseios e necessidades imediatas. Então é considerado como um ato de educar somente as experiências vivenciadas e sentidas, em que procura-se estabelecer o quanto possível um critério de relevância entre o saber sistematizado e seu uso prático. Por isso mesmo, não faz sentido qualquer tentativa de avaliação da aprendizagem, ao menos em termos de conteúdo.


            As tendências libertadora e libertária tem alguns pontos em comum, visto que, ambas valorizam a experiências e perspectivas dos alunos frente a realidade política e social, dando mais valor ao processo de ensino-aprendizagem via grupo (discussões, assembleias, votações) do que aos conteúdos propriamente ditos.

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