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29 de nov de 2016

Instituto Sumaré de Educação Superior.

Claudia Fernanda de Mello RA: 1314787
Turma B-NM

Educação doméstica durante Brasil Império


Educação doméstica surgiu devido a grande preocupação que alguns senhores de posses tinham em relação a educação dos seus filhos, esse conceito e prática de educação eram usadas pelas elites, ou seja, classes mais favorecidas, que tinham condições financeiras de prover a educação de seus filhos, se utilizavam desse conceito de educação não só para a educação elementar, ou seja, para o ensino da leitura, escrita e contas mas também para a continuidade da formação dos jovens, com conhecimentos específicos, o educar em casa definiu praticamente o século XIX.

A educação doméstica, como modalidade de educação, pode ser caracterizada com a atuação de três agentes conhecidos. O primeiro seria os professores particulares, também chamados de mestres particulares ou mestres que davam lições nas casas, ensinavam  primeiras letras, gramática, línguas, música, piano, artes e outros conhecimentos, ministravam aulas a alunos membros da família, ou agregados, individualmente, nas casas ou fazendas de quem o contratavam. Não habitavam nas casas, mas compareciam, para ministrar as aulas, em dias e horários pré-estabelecidos. Eram pagos pela família pelos cursos que ministravam. O segundo agente atuante, eram os preceptores, mestres ou mestras que moravam na residência da família, às vezes, estrangeiros, contratados para a educação das crianças e jovens da casa como filhos, sobrinhos, irmãos menores. Os mestres preceptores viviam na mesma casa de seus alunos, constituindo-se, assim, dentro da realidade da educação doméstica, os melhores remunerados eram aqueles que tinham que viver em casas, fazendas ou balancetes mais abastados. E o terceiro agente atuante encarregados da educação doméstica, eram membros da própria família, mãe, pai, tios, tias, avós, ou até mesmo o padre capelão, que ministravam aulas no espaço da própria casa, não tendo custo algum e atendendo apenas às crianças daquela família ou de algum parente.

Tinham muitas vantagens ao profissional da educação nas casas, pois tinham um número reduzido de alunos, os serviços eram melhores remunerados, pois os professores particulares, poderiam, por exemplo, ensinar em várias casas e assim ganhavam mais, pois cobravam por hora e dia marcado. Quanto aos preceptores, além de receberem um valor maior anual, podiam residir na casa de seus alunos, reduzindo as suas despesas pessoais.

A posição do tipo de educação doméstica, era muito reconhecida durante a primeira metade do século XIX, tinha uma relativa importância social, que se referia, na maioria das vezes, à condição da família em que atuavam e as habilidades que podiam ensinar. As mulheres que trabalhavam fora do seu lar eram consideradas uma anomalia nessa época, pois eram criadas para cuidar do lar, trabalhar como preceptora ou professora particular, só era feito por questão de sobrevivência, ou seja, ou eram viúvas, órfas, ou mulheres que por alguma situação tinham que se sustentar e ofereciam seus serviços em anúncios de jornais. De 1830 até 1850, anunciavam-se nos jornais quem estava à procura de pessoas habilidadas para esinar, como senhor ou senhora, depois desse período se passa a ser anunciado como professor ou professora, surgindo assim a essa profissão. Devido a  grande procura e necessidade da elite referente aos serviços de professores particulares ou preceptores, ou fosse para completar a educação recebida ou para a aprendizagem de alguma atividade específica, também anunciavam suas solicitações explicitamente nos jornais.

Em 1860 a maior parte dos preceptores eram composta por mulheres, devido à intimidade que teriam dentro da casa dos nobres. A partir do final da década de 1870 diante da popularização da profissão, já se era possível observar um princípio de concorrência explícita entre os anúncios de professores particulares e preceptores, provavelmente, causada pelo grande número existente de pessoas dedicadas à educação doméstica. Assim nos anúncios começa a ser informados, todos os aspectos valorizados anteriormente da pessoa, onde estudou, quais os cursos que tem, onde trabalhou e também passam a incluir no anúncio o preço desejado dos seus serviços referentes as aulas e disciplinas. Outro diferencial que se mostrava nos anúncios, eram a preferência na contratação pelas preceptoras ou professoras estrangeiras, alemãs, francesas e suíças, pois elas vinham de países civilizados e com mais conhecimentos, já que no Brasil a educação não era muito atualizada, depois davam preferência as brasileiras que moraram e estudaram na Europa, pois falavam outro idioma e tinham uma educação mais atualizada e diferenciada.

Na educação doméstica, quanto mais diversificadas as matérias ensinadas pelo professor, maiores eram as chances de ser contratado pelas famílias, principalmente aquelas que utilizavam preceptores, tornando assim mais vantajosa a remuneração pelos serviços. Em relação aos conhecimentos ensinados na educação doméstica, algumas vezes, eram encarregados diferentes professores particulares, que deveria atender os desejos da família que os contratavam, pois eram os pais que escolhiam, entre as matérias consideradas importantes, aquelas mais adequadas aos seus interesses, para que fossem ministradas aos seus filhos e, a partir daí, procediam à colocação de anúncios solicitando professores habilitados para tal, ou então, selecionavam, entre os anúncios existentes, aqueles que lhes pareciam mais apropriados a seus filhos, tratando da contratação dos mestres.

Para as meninas, tinham que aprender conhecimentos específicos como bordar, dançar, trabalhos de agulha, tricot, flores, obras de fantasia, recortar estofos, veludos e outros trabalhos manuais, que eram oferecidos para serem ministrados por professores particulares e preceptores, juntamente com as demais matérias que se exigiam para uma boa formação. Quando as/os preceptoras (es) achavam que seus alunos já estavam preparados para fazerem os exames preparatórios para o curso secundário eles os liberavam ou seus pais é que decidiam a hora de dispensar os mestres.

A sociedade Brasileira no século XIX, passa por uma boa transformação, principalmente referente em relação a população de estrangeiros, e com a vinda da comercialização de produtos importados, como perfumes e outros itens, para vender esses produtos as empresas faziam propagandas visando  consumidores e com isso as pessoas tinham que saber a ler essas propagandas e os anuncios nos jornais, que nesse momento  aumentaram muito suas publicações, fazendo assim aumentar mais o interesse das pessoas em consumir e comprar esses produos divulgados, com a necessidade comercial  passou a surgir diviersos preceptores estrangeiros.

O século XIX, se define praticamente com a educação em casa, nessa época a obrigatoriedade era que se educasse a criança, e isso não era necessariamente feito nas escolas públicas devido fatores da desestrutura do Estado, como o número muito pequeno de professores e com formação longe do desejado, mas o fator principal sem dúvida foi, a frequencia irregular dos alunos nas escola,  pois não estavam acostumado a estudar fora de suas casas, muitos tinham dificuldade com a própria locomoção, assim perante tantas situações diferenciadas e  inúmeros obstáculos, e ainda considerando a distância de onde o aluno mora, a educação na casa acaba sendo o ideal para completar a necessidade desse aluno em aprender, deixando assim as escolas públicas quase sem alunos. A aceitação da interferência do Estado na educação foi, no entanto, um movimento lento e dialético, mas que aos poucos crescia, fazendo com que as formas de educação doméstica e de educação escolar permanecessem concomitantes durante todo o Brasil Imperial. Dessa forma, o século XIX foi aquele em que a escola formal instituída, seja ela estatal ou particular, afirmou seu estatuto de posturas e possibilidades, destituindo do lugar ocupado somente da educação na casa, caracterizando o século XX como o cenário da escola, e instituição de educação e de ensino.

Referências

VASCONCELOS, Maria Celi Chaves. A casa e os seus mestres. A educação no Brasil de Oitocentos. Rio de Janeiro: Gryphus, 2005.

VASCONCELOS, Maria C. C. Revista de Histórias.com.br: Rico Aprende em Casa, 06/08/2008 .



Site: http://www.youtube.com/watch?v=EP2XLe5zPyk Vídeo: Cursos Livres Univesp TV - História do Brasil – Preceptoras, Disponível <29-03-2013>.

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