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26 de set de 2010

Harry Potter e as questões morais, éticas e ideológicas de J.K. Rowling


Liane Goia de Araújo Marson


O último livro da série Harry Potter, da escritora inglesa J. K. Rowling, há muito já saiu, mas inegavelmente vai demorar muito para suas estórias serem esquecidas, não só por causa dos filmes que ainda serão lançados, como também pela maneira como agradou aos jovens de mundo todo. É provável que não exista um jovem que nunca tenha ouvido falar das aventuras de Harry Potter, Rony Weasley e Hermione Granger; ou até mesmo da famosa escola de Hogwarts e seu fantástico e esperado chapéu seletor, que determina para qual das quatro casas cada aluno vai; assim como do famoso vilão contra o qual Harry teve que lutar desde pequeno – Lord Voldemort.

Mas a pergunta que muitos fazem é: Por que os sete livros de J. K. Rowling fizeram tanto sucesso pelo mundo afora? O que uma simples história de bruxos numa escola fantástica, com mesa de refeições onde a comida simplesmente aparece em seus pratos tem que leva milhões de leitores às livrarias assim que um exemplar é lançado?

E a resposta, pelo meu ponto de vista: mais que uma simples historinha de bruxos, duendes ou vassouras voadoras, a autora apresentou em seus sete livros o mundo real sob a roupagem da magia, a parte surreal usada como instrumento para falar de um mundo de maus tratos, sofrimento, abandono, discriminação, abuso de autoridade e de poder, humilhação, carência, intimidação, corrupção, violência contra jovens e crianças e muita injustiça. Um mundo como esse em que vivemos nós, os seres normais; e será como qualquer ser normal que os alunos de Hogwarts vão enfrentar o perigo, um perigo para o qual ainda não estão preparados, apesar da grande coragem que têm, virando heróis do nosso tempo.

Crescer sem pais já é ruim o bastante para ainda ter que conviver com maus tratos, sofrimento e abandono em casa, situação conhecida de muitas pessoas que não têm outra opção, além da discriminação por ser diferente, ser bruxo num mundo de “trouxas”. Aqui já se percebe a denúncia do mundo real, mundo esse em que muitas crianças e jovens sofrem discriminação, bullying e são vítimas de atos de violência por serem diferentes dos chamados normais. São vistos com certa restrição pela sociedade por serem gordos, nerds, vestirem-se de maneira exótica, serem emo, ou até mesmo pela opção sexual. São seres que acabam se fechando em seu mundo por não saberem lidar com a situação, ou adquirem uma personalidade muito diferente do que sempre foram como forma de se defender, muitas vezes partindo para a agressividade.


Essa violência não acontece somente de jovens para jovens. Ela também está presente em algumas atitudes dos adultos que usam sua função – de professor, diretor, juiz, auditor, fiscal, ou qualquer poder a ele instituído para intimidar, injustiçar, corromper e violentar seres humanos que não teriam como se proteger de tais atos. Os abusos de autoridade do professor Severo Snape ao tirar pontos da Grifinória por todo e qualquer ato de Harry e seus amigos é claramente uma forma de vingança por questões particulares e passionais. Dolores Umbridge, sob o título de mais alta inquisidora instituída pelo ministro da magia se vê no direito de mandar dementadores a um adolescente incapaz de se defender por não poder usar magia fora da escola, unicamente para poder expulsá-lo de Hogwarts por denunciar verdades que fariam o ministério ficar desacreditado. Em nome de uma suposta ordem que não existe um jovem é punido, uma vez que é a verdade de cada um que conta mais do que a realidade, a verdade que faz com que os olhos enxerguem apenas o que eles querem ver, ou o medo de perder o poder.

É na luta do bem contra o mal que J. K. Rowling está preocupada, assim como na pacificação do mundo por intermédio dos jovens que, como muitos afirmam, são o futuro da nação, de todas as nações, porque alguns destes ainda são puros de coração e procuram sempre ajudar os que o cercam e melhorar o mundo ao seu redor. E a grande magia para essa transformação e melhoria é a única e mais poderosa arma que qualquer um pode ter – o amor, o mesmo com o qual a mãe de Harry o protegeu do perigo mortal. Com amor no coração e respeito pelo mundo multifacetado que nos rodeia, qualquer um pode virar super-herói, sem precisar de capas, superpoderes, varinhas mágicas ou carros inteligentes.

Essa é a grande mensagem da autora – a idéia de que num mundo onde a escolha for de amor, justeza de caráter, atitude ética, respeito pelo próximo, verdade e justiça, não existirá mal que vença. Assim como a necessidade de união de forças, pois sozinhas as pessoas constroem algo, mas unidas elas são imbatíveis. E personagens como Harry, Hermione, Rony, Hagrid, Dumbledore, Minerva Mc Gonaghal, Neville, Fred, Jorge, Gina o Sr e a Sra Weasley ficarão para sempre como símbolos de uma luta para se construir um mundo melhor para as gerações futuras.


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