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23 de set de 2010

Alfabetização científica: uma entrevista com Carol Brewer


Encontrei, no Action Bioscience, uma entrevista com Carol Brewer. Nela, a professora da Universidade de Montana faz considerações interessantes sobre o ensino de Ciências e a Alfabetização Científica. Quero deixar registrado aqui no blog, com meus negritos, a resposta que ela dá sobre avaliação. Talvez eu esteja enganada, mas a resposta cabe também para outras disciplinas e não apenas para as Ciências Biológicas:

A avaliação é um processo interessante e me agrada pensar sobre ela de duas formas: uma é o tipo de avaliação com a qual tanto professores quanto alunos estão mais familiarizados, na qual se faz um exame ao final de uma unidade para ver quanto do material alguém se lembra.

Porém, como cientista, se alguém quer realmente imitar a ciência, creio que a avaliação é um mapa do processo. Onde começou? O que o levou a interessar-se pela pergunta? Que ferramentas usou para descobrir como fazer uma prova adequada para responder a pergunta? Na universidade pode ser o que chamamos de um experimento, porém quais foram essas ferramentas? Como se usou essas ferramentas? Que tipo de evidências foram reunidas? Como se deu sentido à evidência? Todas essas coisas que alguém pode examinar através do processo de investigação científica , e a chave aqui é que nem sempre se chega à resposta correta, ou na melhor resposta, na primeira vez em que a pergunta é feita. Por exemplo, estamos na conferência da AIBS (American Institute of Biological Sciences), com centenas de biólogos presentes, e creio que se perguntarmos a cada um deles, "O que foi necessário para você obter esse fato citado em um livro?", responderiam que levaram milhares de horas e milhares de becos sem saída, e muitas voltas para descobrir a melhor forma de fazer a pergunta e recolher as provas.

 
Grande parte do que se pode fazer na avaliação consiste em analisar aqueles hábitos mentais que as pessoas desenvolvem para formular perguntas e conseguir respondê-las por si mesmas. Gostaria de incentivar as pessoas a examinarem esses hábitos mentais, e ver como as pessoas formulam e respondem as perguntas. Isso toma um pouco mais de tempo, porém quando se avalia se está, fundamentalmente, conectando todo o ensino com a aprendizagem do estudante e, francamente, é isso o que é importante!

Creio que você tem que usar muitos tipos de avaliação. Eu dou aulas para classes com muitos estudantes na Universidade de Montana, onde você tem usar testes de múltipla escolha, porém acredito que também é importante conversar com meus alunos e fazer provas verbais para ver como respondem e como estão pensando. Creio que também é útil pedir para os alunos que criem pastas de trabalho com o que pensam e com o que estão fazendo. Uma parte importante do processo de avaliação também é pedir que os alunos escrevam e reflitam sobre o que pensam que estão aprendendo. Assim como não ensinamos de uma única forma, creio que tampouco deveríamos avaliar de uma única forma.

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