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3 de set de 2010

Artigo- Blog e Jornal Impresso

FACULDADE SUMARÉ



PRODUÇÃO DE JORNAL IMPRESSO E BLOG EM PROCESSOS DE ALFABETIZAÇÃO:

UMA ABORDAGEM INTERACIONISTA




Claudia Fernanda de Mello.

Centro Universitário Nove de Julho- Uni nove.

Formada em Administração- Comércio Exterior.

claudia_fm2003@yahoo.com.br



PRODUÇÃO DE JORNAL IMPRESSO E BLOG EM PROCESSOS DE ALFABETIZAÇÃO: UMA ABORDAGEM INTERACIONISTA.



Claudia Fernanda de Mello





RESUMO

Este artigo foi feito devido aos meus conhecimentos teóricos e minha vivência na pratica de escrita adquiridos, pelo meu segundo módulo do curso de pós graduação pela faculdade Sumaré do curso “Alfabetização e Letramento”, nas disciplinas de “Escrita, Autoria e Diversidade Textual” com a professora Gracia Lopes Lima e “Conceitos e Representações de Escrita” com a professora Zila Ap. Peigo de Moura e Silva, busco mostrar a importância do interacionismo com o uso de diferentes gêneros no aprendizado da escrita e da leitura, unindo a teoria da escrita e relatando minha experiencia junto com algumas crianças na produção de um jornal impresso e um blog em processos de alfabetização, junto com o avanço da tecnologia que nos fornece ferramentas que estimulam e auxiliam os jovens sentirem prazer de se tornarem verdadeiros autores.



PALAVRA CHAVE

Interacionismo, Blog, Jornal Impresso, Escrita e Tutoria.



INTRODUÇÃO



A concepção interacionista surge como uma alternativa para promover ambientes interativos de qualidade que promovam o diálogo efetivo entre alunos e professores, a interação social e a colaboração, é representada por cognitivistas como J. Piaget e Vygotsky, a postura do professor será totalmente divergente da empirista. O professor torna-se o mediador de todo o processo de aprendizagem. O aluno será o interagente. O conhecimento resultará da ação do sujeito (aluno) sobre a realidade e desta sobre o sujeito. A prática pedagógica pressupõe a atividade do aluno, seus esquemas de assimilação, bem como as ações docentes no sentido de favorecer a ampliação de tais esquemas. Nesta abordagem, o papel do professor será de desequilibrador, provocando conflitos e situações problemáticas que estimulem a reversibilidade de pensamento e levem o aluno a questionar sua ação. Além disso, o professor deverá ser também regulador, mediando as inter-relações dos alunos, dando ênfase a procedimentos democráticos e lúdicos.

Foi baseando-se nesta concepção interacionista que se buscou discutir o papel do professor e do aluno no ambiente colaborativo e quais as implicações que esta abordagem traz para aprendizagem na escola. Especificamente as ferramentas colaborativas surgem como mecanismos adicionais à meta maior do ensino que é a aprendizagem. Os mecanismos que promovem a interatividade podem contribuir para que se tenha êxito pedagógico quando se utilizam estas ferramentas como meio de comunicação. No entanto, existem questões importantes no que se refere ao papel do professor, do aluno bem como das condições necessárias para que a interação se efetive. Interacionismo é a interação entre o individuo e a cultura, onde para VYGOTSKY, é fundamental que o individuo se insira em determinado meio cultural para que aconteçam mudanças no seu desenvolvimento.



Piaget (1995), busca em seu empreendimento a gênese do conhecimento, isso no princípio da constituição do humano, e partiu da ação como manifestação inicial da inteligência, sua criança é epistêmica, sujeito do conhecimento. Sem negar a criança de Piaget, no sentido de que a criança é um sujeito que conhece, Vygotsky (1991) a define como sujeito social, que conhece significando e passa por transformações advindas dos valores culturais do seu ambiente, esse é também por ela transformado, isso a torna um ser criador e ao mesmo tempo recriador de cultura. Segundo Vygotsky (1991), criança e objeto de conhecimento transitam um pelo outro, através de outra pessoa. Assim, são as interações sociais que permitem as significações, estas vão sendo construídas num contexto cultural, historicamente constituído. Em seus estudos, Vygotsky (1991) descreve a criança em oposição a macacos, animais que foram utilizados para experimentos, dizendo que ela tem capacidade de incluir estímulos que não estão no campo visual imediato, exerce operações práticas menos impulsivas e espontâneas, através da fala planeja e executa uma atividade visível, age através de processo psicológico complexo. E assim, demarca a utilização do signo como uma atividade humana, afirmando que a criança é alguém com capacidade de abstração, que manipula a fala e outros instrumentos culturais, canalizando-os para o processo de conhecer, significar.



Luria (1988) descreveu, no seu trabalho sobre o desenvolvimento da escrita, como as crianças que não estavam participando de um processo escolar de alfabetização passaram a usar sinais, marcas e desenhos como símbolos, pois estes adquirem um significado funcional e começam a refletir o conteúdo registrado. Esse autor diz que o período primitivo por ele estudado chega ao fim quando a criança inicia o processo de escolarização e indica que, entre o período de elaboração das primeiras formas simbólicas de representação e a elaboração da escrita na sua forma cultural, existe um longo período, particularmente interessante para a pesquisa psicológica.



Usando essa abordagem interacionista, pude com algumas crianças, desenvolver dois trabalhos para a pratica de escrita, sendo eles o jornal impresso e o desenvolvimento de um blog, mostrando a importância dessas ferramentas para o processo de alfabetização. Com a utilização do jornal impresso , as crianças aprendem a ter senso crítico, gramática, exercitam o hábito da leitura e a produção textual.



Para mim foi muito gratificante o desenvolvimento desse jornal, a única dificuldade que encontrei, foi de ter algumas crianças disponíveis para a elaboração, pois ainda não sou professora, sem alternativas, chamei minhas sobrinhas e alguns primos e nos reuníamos na minha casa todos os domingos com direito a sorvetes e tudo mais, as idéias e elaborações dos temas foram tudo invenções das crianças. Por serem de idades, escolas e séries diferentes, em conjunto se decidiram á fazer o jornal da Vila Roque, já que todos moram na vila, então seria a única coisa que tinham em comum, cada um fez uma parte que achava interessante, um resolveu falar do que há de bonito e interessante no bairro, outros de jogos e quadrinhos, outros sobre a entrevista, uns de passeios.



Cada integrante do grupo, redigiu seus textos com suas interpretações que foram publicados no jornal e depois apresentavam para a turma, como forma de melhorar a oralidade. Para saber se expressar bem e aumentar o vocabulário precisa ter uma boa leitura. Trabalhamos a importância do trabalho com diferentes gêneros com os alunos, principalmente com gêneros de fácil circulação social, no alcance dos educandos. Após lermos as notícias do nosso jornal, debatíamos o assunto e perguntava se eles concordavam ou não com o que estava escrito. Desta forma, eles faziam uma análise dos acontecimentos e ficavam por dentro do que estava ocorrendo no nosso bairro, com isso, poderão debater sobre a nossa cidade, Estado, País e mundo.



O jornal mexeu com a imaginação, criatividade e interesse deles, minha função foi somente reunir essa turminha nos finais de semana, não deixar faltar material, lanches, e após os temas prontos, organizar junto com eles qual seria a ordem de cada matéria. Após o término do jornal, foi tirada uma cópia para cada participante, que ja levaram para a escola e mostraram para suas professoras, uma dessas gostou da idéia e disse que irá fazer um em breve na sua sala. Foi muito bom ver a carinha deles de satisfação com o resultados, pois eles perceberam que são verdadeiros autores.


Como futura educadora percebo como nossos alunos estão a cada dia mais envolvidos com o uso de diversas tecnologias. Celulares, tocadores MP3 e máquinas fotográficas digitais não raramente estão inseridos no cotidiano escolar, sendo elementos constantes em sala de aula. Além deles, o computador, mesmo ausente fisicamente, também povoa as conversas de nossos alunos. Em meus conhecimentos de vida, primeiramente como tia de 11 crianças e conhecimentos teórico das práticas como educadora, se percebe que vários de nossos alunos utilizam computadores e até mesmo acessam a Internet através das chamadas Lan Houses (empreendimento comercial onde o usuário tem acesso a computadores conectados à Internet, pagando pelo tempo utilizado. Normalmente os preços são relativamente reduzidos, o que acaba por atrair um grande número de usuários. O público é formado majoritariamente por jovens). As referências a termos como e-mail, msn e orkut, não deixam dúvidas de que a cada dia mais jovens tem acesso a estes produtos.



A tecnologia que envolve o micro computador, pode ser de grande importância para o ensino-aprendizagem. O professor dispõe com este equipamento uma gama de diversidade de programas que contribuí para um estímulo maior no aprendizado de seus alunos, sendo que eles poderão utilizar o Word, por exemplo, onde se familiarizarão com as letras maiúsculas, minúsculas, e de diversas fontes, números, etc. O computador é tema constante de conversas entre alunos, não deixa de sê-lo também entre os professores e de certa forma, ele ocupa hoje um papel em nosso discurso que antes era dedicado inteiramente à televisão.



As novas gerações convivem com esta proliferação de imagens e de novas tecnologias. Na realidade, as pessoas na faixa de 40 anos de idade já constituíram sua subjetividade em grande parte a partir do contato com a telinha. O mesmo fenômeno pode ser analisado do ponto de vista das novas tecnologias e da relação das novas gerações com elas. Enquanto as gerações mais antigas possuem uma relação com a tecnologia que é marcada muitas vezes pela incapacidade, pela dúvida ou mesmo pela angústia, as novas gerações às vivenciam como cultura. Assim, constituem-se novas formas através das quais é constituída a subjetividade dessas novas gerações. As gerações mais velhas muitas vezes admiram esta habilidade das novas gerações em circular com facilidade neste mundo de tecnologias, produtos e programas. Programar um vídeo, lidar com o computador, navegar por sítes na Internet, dominar o linguajar da informática: web, blog, orkut, postar, etc. Tal admiração não raro vem acompanhada de um discurso de assumida incapacidade de lidar com estes meios. Tal reação reforça um fosso que separa as diferentes gerações.



Devido a importância dessas tecnologias, trabalhei o ensino na aprendizagem da leitura e da escrita com a utilização do desenvolvimento de um blog com minhas sobrinhas Paloma (13 anos), Thalita (11 anos) e Giovanna (4 anos), esse desenvolvimento foi muito prazeroso, as meninas mais velhas, por sua vez sempre acessaram internet em minha casa, com isso pude ensina-las a mexerem em algumas ferramentas básicas de navegação, como o site do google que é muito usado em pesquisas de trabalhos acadêmicos, busca de filmes, jogos, ter acesso ao orkut e ao msn. O blog foi uma novidade inclusive para mim, pois na minha concepção, ele era sinonimo de diário pessoal, sendo que na verdade não se restringe somente a isso, ele é utilizado para a escrita e publicação de textos e imagens, esse gênero, divulga idéias e informações sobre diversos assuntos, permite o desenvolvimento de leituras críticas sobre os temas ali abordados. Conforme configurava o meu blog (http://claudiafm.blogspot.com/) e seu design, fui descobrindo como utilizar suas ferramentas e com isso pude ensinar minhas sobrinhas a desenvolverem um blog compartilhado entre elas (http://thalitabarsotti.blogspot.com/), após o término da configuração, mostrei onde se devia postar suas mensagens e também como incluir fotos, vídeos, imagens.



Com a Thalita e Paloma, tive mais facilidade na interação, pois já tinham noções de navegações pela internet e começaram a postar suas mensagens de imediato, outros objetivos que abordei com elas, foi a de incentivar leituras contextualizadas, fazerem perceber se o uso de um gênero digital pode servir de estímulos para a escrita e para leitura, a escrita do blog é motivada pela reação resposta-ativa do interlocutor, fazer a postagem ou comentário no blog, elas perceberam um espaço para o seu dizer, e muito mais que isso, perceberam um interlocutor real de seu dizer: “no blog as propiciou uma chance de exporem suas opiniões. Com a Giovanna (4 anos), foi pura brincadeira, ela escrevia as coisas que vinham de sua cabeça e embaixo eu reescrevia de acordo com o que ela queria disser, mas a informando o motivo que escrevia embaixo da escrita dela, a filmei e a incentivei a escrever e todo esse processo foi postado no blog dela, porem meu trabalho com a Giovanna esta apenas começando, pois com 4 anos é tudo novidade e o nosso tempo é curto, mas acredito que aos poucos ela vá melhorando a sua escrita no universo digital.



Certamente outros gêneros podem ser utilizados para leitura e para registro no blog. Poder expor sua posição a respeito do que estava sendo tratado e posteriormente o registro do que foi discutido no blog, como se fosse um diário de leitura possibilitou a interação discursiva completa. Segundo Costa (2005), a emergência de um gênero é definida por parâmetros de produção como: o lugar social da interação (sociedade, instituição, esfera cultural, tempo histórico); os lugares sociais dos interlocutores (relações hierárquicas e interpessoais, relações de poder); e finalidades da interação (intenção comunicativa do enunciador). Assim, para a produção do gênero blog, houve a presença de todos os elementos necessários segundo a abordagem discursivo-dialógica de Bakhtin.



BIBIOGRAFIAS



PIAGET, Jean. Seis estudos de psicologia. Tradução: Maria Alice Magalhães D’amorim e Paulo Sergio Lima Silva. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995.

VYGOTSKY, Lev Semenovick. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. Tradução: José Cipolla Neto, Luiz Silveira Nenna Barreto, Solange Castro Afeche. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

LURIA, Alexandr Romonovich. "A criança e o seu comportamento". In: VIGOTSKI, Liev Semionovich; LURIA, Alexandr Romonovich, Estudos sobre a história do comportamento: Símios, homem primitivo e criança. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.

BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. Trad. Do russo por Paulo Bezerra. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

COSTA, S.R. (Hiper)textos ciberespaciais: mutações do/no ler-escrever. Cad. Cedes, Campinas, vol. 25, n. 65, p. 102-116. jan./abr. 2005.

LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: Loyola, 1999.

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