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28 de ago de 2010

Pais podem evitar más notas dos filhos


Com o início do ano letivo, começa também a preocupação dos pais com o desempenho dos filhos nos estudos. Lições de casa, provas, trabalhos, tudo pode se transformar em uma batalha, se alunos, pais e escolas não estiverem em sintonia. Para evitar notas baixas e surpresas desagradáveis no final do ano, como recuperação e repetência, especialistas afirmam que, antes de mais nada, os pais devem estar antenados ao que acontece na vida escolar das crianças.

Para Maria Ângela Barbato Carneiro, professora de educação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), a primeira coisa a fazer é checar a agenda e os cadernos do filho diariamente. Lá, devem constar as lições a serem feitas e as datas de entrega. Além disso, muitas escolas usam esse material como canal de comunicação com os pais:

- Criar essa rotina de acompanhamento diário é muito importante para o aluno. Ele sente-se estimulado a estudar. E os pais devem estar sempre em contato com a escola.

Outra dica importante é estabelecer um horário e definir um lugar na casa apropriado para a criança estudar, seja uma escrivaninha ou a própria mesa da sala. É preciso criar uma disciplina. Mas para Silvia Gasparian Colello, professora de psicologia da educação da USP (Universidade de São Paulo), o início do ano não serve apenas para organizar fisicamente os estudos:

- Por meio de pequenas ações, como comprar o material escolar e estipular o horário para as tarefas, os pais conseguem mostrar aos filhos o quanto eles valorizam a vida escolar. Muitas crianças que vão mal na escola não têm estímulo em casa.

Segundo Silvia, a participação dos pais na vida escolar dos filhos deve ser diária. Mas ninguém precisa ficar ao lado da criança o tempo todo. Pelo contrário: o aluno precisa ter autonomia na hora de fazer o dever de casa.

- Os pais só devem interferir se a criança pedir ajuda. E mesmo assim, apenas para orientar. Jamais devem fazer a lição ou as pesquisas pelos filhos.

No entanto, é bom estar por perto. Perguntar e mostrar interesse por aquilo que a criança está aprendendo faz muita diferença. E checar se o filho fez a lição e os trabalhos também faz parte do papel dos pais. Além de conferir o andamento dos estudos, Maria Ângela acredita que essa atitude evita as artimanhas dos alunos para driblar os adultos.

- É muito comum ver alunos fazendo o famoso “corta e cola” da internet. Eles copiam textos inteiros sem nem saber o que estão fazendo.

Todo esse cuidado, além de evitar os sustos com os boletins, contribui para o futuro escolar dos pequenos. E deve começar já no ensino fundamental.

Segundo Silvia, “crianças até os dez anos estão na fase da curiosidade, querem aprender, são mais interessadas. É a hora de fazer com que elas se apaixonem pela escola”.

- Na pré-adolescência, a escola começa a perder lugar para as festinhas, os namoricos, as paqueras. Mas ainda terá papel importante para aquelas crianças que foram incentivadas pelos pais, que conseguem ver a escola como algo essencial para o futuro.

Outra ferramenta que pode ser usada para estimular os pequenos é oferecer atividades extras, como aulas de línguas, música, livros, revistas, passeios a museus, teatro e cinema, principalmente se esse material tiver relação com aquilo que a criança está aprendendo na escola. Para Silvia, essa ajuda é valiosa.

- Faz a maior diferença e é muito mais forte do que podemos imaginar. Uma criança que passa os finais de semana em frente à tevê, assistindo a programas de auditório, não apresenta a mesma curiosidade, o mesmo interesse do que aquelas que costumam fazer programas culturais com a família.

Mas Maria Ângela afirma que, para ter resultado, "é fundamental que esses estímulos não sejam impostos":

- É preciso despertar a curiosidade da criança, explicando antes de ir a um museu, por exemplo, o que ela vai ver. É preciso contextualizar o passeio.

Passado o Carnaval, agora é colocar essas dicas em prática e aguardar o boletim das crianças recheado com notas azuis.



Fonte: R7
(Publicado pelo Boletim BisNotícias, do SINEP/MG)

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