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28 de ago de 2010

O EDUCADOR E SUA BUSCA CONTÍNUA PELO REENCANTAMENTO

O EDUCADOR E SUA BUSCA CONTÍNUA PELO REENCANTAMENTO



José Donizetti dos Santos

Com o advento da Internet a partir das décadas de 60 e 70, os mais curiosos, ou quem sabe os mais "amantes da sabedoria", vêm podendo, cada vez mais, dar asas às suas curiosidades, inclusive às mais excêntricas. Pretendo "estar sendo" um deles! Então, resolvi pesquisar nesta já tão imprescindível rede mundial de computadores e descobri que no mês de outubro, tão esperado por todos nós que assumimos o compromisso com a missão educacional, há comemorações interessantíssimas e também muito importantes em cada um dos seus 31 dias, chegando a um total de cerca de 160 comemorações. Começa com 7, no dia 01, com destaque para o Dia Internacional da Doação do Leite Humano e termina com 9 comemorações no dia 31, sendo uma delas o famoso Dia das Bruxas. Descobri também que neste mês nasceram pessoas valorosas como Gandhi (1869), John Lennon (1940) e, entre tantos, os nossos admiráveis Vinícius de Moraes (1913), Pelé (1940), Maurício de Souza (1935) e Carlos Drummond de Andrade (1902).

Contudo, escolhi para refletir aqui, é claro, a comemoração do dia 15 de outubro, Dia do Professor. Neste dia, comemora-se também o dia de Santa Teresa de Ávila, religiosa e escritora espanhola, famosa pela reforma que realizou no Carmelo e por suas obras místicas.

Tudo começou em São Paulo no ano de 1947, numa pequena escola no número 1520 da Rua Augusta: Ginásio Caetano de Campos, o "Caetaninho".

O longo período letivo do segundo semestre ia de 01 de junho a 15 de dezembro, com apenas 10 dias de férias em todo esse período. Quatro professores tiveram a idéia de se organizar um dia de parada para evitar a estafa – e também de congraçamento e análise de rumos para o restante do ano. O professor Salomão Becker sugeriu – inspirado por uma lembrança de sua infância – que o encontro se desse no dia de 15 de outubro e que fosse chamado "Dia do Professor". A celebração, que se mostrou um sucesso, espalhou-se pela cidade e pelo país nos anos seguintes, até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963. O Art.3 definia a essência e a razão do feriado: "Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias".

Sessenta e um anos depois, estamos aqui para comemorar o nosso dia, Dia do Professor, melhor, DIA DO EDUCADOR E DA EDUCADORA.

São outros tempos! Estamos vivendo a primeira década do tão esperado século XXI, caracterizada pela vertiginosidade das mudanças, pelo acúmulo exagerado de informações, pela velocidade hiperacelerada da tecnologia, etc. Neste contexto, educar, nossa missão sublime, torna-se, cada vez mais, um grande desafio, sobretudo o de aprender a lidar com as novas tecnologias, mídias e as mais variadas formas de linguagens do mundo atual, que chegam, de uma forma ou outra, às salas de aulas através dos nossos educandos.

Por outro lado, educar nesse contexto torna-se um estímulo para repensarmos continuamente o nosso trabalho educacional no cotidiano das escolas e as relações que estabelecemos com a produção do conhecimento e a forma como nos relacionamos com os educandos e a maneira como nos conectamos ou não com eles. Um estímulo para buscarmos continuamente o reencantamento por aquilo que fazemos. Às vezes, temos a impressão de que necessitamos de poderes sobrenaturais para darmos conta de tantas tarefas, tantas novidades! Dar conta de tudo e de todos! Dar conta de nós mesmos e da necessidade de cuidar-nos para podermos cuidar de tantos quantos se apresentam cotidianamente sentados à nossa frente nas salas de aulas de tantas escolas deste país, ávidos por algo que nem mesmo eles sabem o que é e que nós, muitas vezes, também não sabemos!

Sim, educar num tempo e numa sociedade como a nossa exige que sejamos eternos e inquietos aprendizes, buscando formas novas e concretas de compreender o mundo e de realizar-se nele, sabendo-se imperfeitos, contudo, plenos do imenso potencial de crescimento e desenvolvimento nas várias dimensões da existência humana.

"Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade". Paulo Freire

Para encerrar esta reflexão, deixo como mensagem algumas palavras para você educador e educadora:

Tu sabes com certeza que nossos tempos são desafiadores ao extremo. Estás convicto de que, sobretudo, viver e educar numa realidade destas torna-se uma das mais delicadas tarefas, parecida com a dos que se entregam à arte delicada de cuidar de raras e preciosas jóias.

Teu coração, às vezes, se enche de medos e inseguranças. Noutros momentos, por conta da fé que nutres em teu espírito, ouve em teu peito o palpitar suave de um coração generosamente esperançoso. Num tempo novo de vitórias e conquistas, tempos muito melhores! Em tudo e para todos!

Tu acreditas na vida como dom maior e mais precioso. Estás convicto de que educar, sobretudo, em nossos dias, é como o garimpeiro que procura tesouros no coração. Por isto, cuidar da vida presente nos seus educandos, é o que mais te encanta.

Teus olhares são de cuidados!

Teus passos são de encontros e de reencantos! Que possas recomeçar sempre e cada vez mais forte!

Tuas mãos são de gestos cotidianos de ternura amorosamente fraternal!

Educador, educadora, que de tua boca continue brotando as palavras certas para os exatos momentos.

Equilíbrio. Firmeza. Confiança. Limites. Bondade. Trabalho. Transparência. Objetividade.

Para você, para nós, hoje e todos os dias, felicidades! Coragem, sobretudo! Parabéns pelo Dia do Professor!

Por JOSÉ DONIZETTI DOS SANTOS (*) Professor de Filosofia, Diretor do Colégio Maria Clara Machado e Diretor de Assuntos Educacionais do Sinep-MG

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