BEM VINDO




20 de abr. de 2013

Como ensinar crianças com deficiência intelectual a brincar


Como ensinar crianças com deficiência intelectual a brincar


Através do brincar a criança pode desenvolver sua coordenação motora, suas habilidades visuais e auditivas e seu raciocínio criativo. Está comprovado que a criança que não tem grandes oportunidades de brincar, e com quem os pais raramente brincam, sofre bloqueios e rupturas em seus processos mentais.
As crianças sem deficiência mental brincam espontaneamente, ou aprendem rapidamente através de imitação. Elas tentam todos os tipos de brincadeiras novas por curiosidade. As crianças deficientes, que têm um menor grau de comprometimento em seu desenvolvimento cognitivo, também aprendem por imitação, contudo, frequentemente necessitam ligeira ajuda para torná-las mais inquisitivas.
Já as crianças com maior grau de comprometimento em seu desenvolvimento cognitivo necessitam que lhes ensinem muita coisa e nesses casos a imitação quase não funciona. É necessário ensinar a tarefa em si e mostrar que o processo é divertido.
            Atividades para crianças com deficiência mental

É importante dividir qualquer tarefa em etapas gradativas, tão pequenas quanto for necessário. Por exemplo, começar por um jogo simples, colocando uma bola pequena numa xícara. Comece com o Auxílio Mínimo até o Auxílio Máximo, siga a lista abaixo até obter uma resposta.

Auxílio Mínimo
 1. Instrução verbal
Com a bola dentro da xícara apenas fale: “”pegue a bola”.”
2. Fala e gesto
Com a bola dentro da xícara fale: “”pegue a bola”” e aponte para a xícara.
 3. Orientação
Retire a bola da xícara e guie a criança até ela, ao falar “”pegue a bola””.
 Auxílio Máximo
Com base na atividade mencionada anteriormente, faça um seguimento completo: segure a mão da criança, feche seus dedos ao redor da bola, posicione sua mão sobre a xícara e faça-a soltar a bola.
Você pode repetir a atividade de tirar e colocar a bola na xícara para trabalhar a percepção da criança

E no que diz respeito ao estímulo?
  1. Quando alguma coisa nova for feita, elogie.
  2. Quando uma habilidade antiga for usada, fique apenas contente.
  3. À medida que uma habilidade nova se torna antiga, reduza o elogio pouco a pouco.
  4. Lembre-se sempre de manifestar o maior prazer quando aparecer uma habilidade nova – muito elogio, um abraço, um doce.
Este seu estímulo ficará associado à tarefa. Com o tempo a tarefa será executada, mesmo com você ausente, devido a este estímulo lembrado. Então, embora talvez com alguns poucos brinquedos, você verá a criança brincar. Não será mais uma “tarefa” para nenhum de vocês dois.
Uma técnica especial é particularmente útil a ensinar a brincar. Baseia-se na idéia de sucesso completo em cada etapa. Um bom exemplo é usar um quebra-cabeça.
Utilizando um quebra-cabeça
Fazemos muitas deduções quando executamos um quebra-cabeça porque já montamos um anteriormente. Isto quer dizer que muitas pessoas que ensinam o manuseio deste brinquedo ou tipos semelhantes às crianças, ensinam erradamente. Não é efetivo espalharmos o quebra-cabeça quando o tiramos da caixa, com as peças todas separadas na frente da criança, ou colocar talvez algumas peças juntas e esperar que ela termine a montagem.
Veja a coisa através dos olhos da criança com deficiência mental. Ela não sabe o que está fazendo, se ele colocar uma peça no lugar, a coisa toda parece que ficou igual e ainda incompleta. O resultado é frustração.
Comece de outro jeito e as coisas ficam diferentes!
1. Monte você mesmo o quebra-cabeça e converse acerca dele.
2. Tire uma de suas peças.
3. Faça com que a criança reponha a peça. Ela terminou? Diga-lhe que isso é um sucesso alcançado!
4. Tire outra peça, ou talvez a primeira que removeu e mais uma.
5. Faça com que a criança complete o jogo. Ela teve sucesso mais uma vez!
6. Repita a ação com outras peças.
Esta técnica, chamada encadeamento é muito útil quando é importante evitar o fracasso. Simplesmente, comece do fim e dê uma marcha ré. Isso é muito bom para qualquer brinquedo seqüencial: um quebra-cabeça, um ábaco, jogos de construção e muitos outros.
Atenção: Problemas poderão ocorrer quando não houver contato de olhos (com você ou com o brinquedo): quando a criança adormece, tem conduta destrutiva ou agressiva. Devemos evitar acomodações, perda de iniciativa ou tendência ao isolamento.
A deficiência lúdica do deficiente mental decorre de vários fatores:
 Baixa capacidade de atenção.
  • Instabilidade psicomotora.
  • Tendência a repetição estereotipada dos mesmos jogos.
  • Ausência de iniciativa.
  • Dificuldades motoras.
  • Dificuldade para ater-se às regras.
  • Fragilidade às frustrações.
Na brincadeira a criança deve respeitar as regras, submeter-se à disciplina, participar de equipes, aprender a ganhar e a perder. É um treino para a vida. A diferença é que a criança com deficiência mental tem que ser ensinada a jogar porque dificilmente vai começar espontaneamente. As regras do jogo têm que ser bem explicadas, com poucas palavras e de forma bem clara. Precisará de apoio para conformar-se a perder, ou a ganhar, sem ufanar-se muito, a respeitar as regras e a controlar-se.

Fonte: Derek Blackburn (Londres)| traduzido por Nylse Cunha, diretora do Instituto Indianópolis e fundadora da 1ª Brinquedoteca Brasileira.

18 de abr. de 2013

18 DE ABRIL- DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTIL


DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTIL

18 de abril é o Dia Nacional do Livro Infantil. O Dia Nacional do Livro Infantil é realizado nesta data para homenagear ao dia de nascimentode ninguém menos do que o escritor Monteiro Lobato.

 MONTEIRO LOBATO – UMA HOMENAGEM AO MESTRE


nova versão da boneca emilia do sitio do pica-pau amarelo    José Bento Renato Monteiro Lobato [Nasceu na cidade de Taubaté, 18 de abril de 1882 – Faleceu em São Paulo, 4 de julho de 1948], considerado um dos escritores brasileiros mais influentes do século XX. Criou diversas obras durante sua carreira, mas foi em 1920 que publicou sua primeira obra infantil “A Menina do Narizinho Arrebitado”, e que deu origem a Lúcia, que se popularizou como a “Narizinho” uma das personagens centrais da obra “Sítio do Pica-pau Amarelo”. O livro foi lançado em dezembro de 1920 aproveitando o ensejo da época de Natal. A capa e os desenhos eram de Lemmo Lemmi, um famoso ilustrador da época.

UM GÊNIO DA LITERATURA QUE AMAVA A MATEMÁTICA.

Monteiro Lobato realmente foi um gênio na escrita, além do mais, uma das características marcantes da sua personalidade, e que chama muito a minha atenção, é o uso da matemática nas obras do autor. Com certeza Lobato era um apaixonado pela história, geografia e pela matemática, e apesar de não ser formado na área, ele conseguia transmitir a essência mágica dos números. Uma das obras geniais do autor que trata do tema, é a “Aritmética da Emília”.

ARITMÉTICA DA EMÍLIA

Aritmética da Emília é um livro infantil escrito por Monteiro Lobato e publicado em 1935. A obra foi Reeditada em 1947 com ilustrações do artista haitiano André Le Blanc, ganha agora sua edição comentada, pois apesar da matemática continuar a mesma, o método ensinado nas escolas sofreu mudanças. A nova edição da Aritmética da Emília foi ilustrada por Osnei e Hector Gómez e está de acordo com a nova ortografia da Língua Portuguesa.

Na história, Monteiro Lobato consegue transformar uma matéria tão árida como a Aritmética em uma linda brincadeira no pomar, onde o quadro-negro em que faziam contas era o couro do Quindim.

Neste livro, as crianças aprendem sobre números decimais, frações, como transformar frações em números decimais, soma, subtração, multiplicação de números decimais, frações e números mistos e comuns. Aprendem também sobre o mínimo múltiplo comum, números romanos, quantidades, dinheiros antigos e de outros países, de onde vieram os números 1, 2, 3..., números complexos como raiz quadrada, entre outros.

É um livro indicado para todas as idades, além de ser uma fonte de informação divertida e prazerosa. Nesta obra Monteiro Lobato transformou a matemática numa divertida brincadeira onde qualquer um, criança ou adulto, terá prazer em aprender.

          CAPA DA ÚLTIMA EDIÇÃO -2009

Versão do livro aritmetica da boneca emilia - sitio do pica pau amarelo
Abaixo, uma prévia do 1º capítulo do livro “Aritmética da Emília”.

Aquele célebre passeio dos netos de Dona Benta ao País da Gramática havia deixado o Visconde de Sabugosa pensativo. É que todos já tinham inventado viagens, menos ele. Ora, ele era um sábio famoso e, portanto, estava na obrigação de também inventar uma viagem e das mais científicas. Em vista disso pensou uma semana inteira, e por fim bateu na testa, exclamando numa risada verde de sabugo embolorado:...”

Existem várias edições desta obra, e consequentemente as capas eram diferentes. Veja abaixo as [supostas] capas das edições de 1935 e 1947.

CAPA DA OBRA DE 1935
capa do livro (obra) de monteiro lobato - emilia aritmética -1935
Companhia Editora Nacional, 1935, 1ª edição. Ilustrações de Belmonte.

        SUPOSTA CAPA DA OBRA REEDITADA EM 1947

livro artmética da emília de 1947 - capa dura
          Editora Brasiliense. Aritmética da Emília Edição: 1947


Se você tiver estes livros, ajude a confirmar se realmente estas capas pertencem às obras de 1935 e 1947.

Quer saber mais sobre o sítio do pica-pau amarelo, visite o Blog do Sítio do pica-pau amarelo.


Para finalizar deixo para vocês uma frase do próprio Monteiro Lobato.

 “um país se faz com homens e livros...”.

Monteiro Lobato, 18 de abril de 1882 – 4 de julho de 1948.


REFERÊNCIAS:


6 de abr. de 2013

ATIVIDADE MATEMATICA


Atividade de Matemática


Observe com atenção a data de nascimento das pessoas abaixo:

Nome
dia
mês
ano
Pedro
3
novembro
1998
Mariana
2
agosto
1996
Carlos
5
dezembro
1999
Solange
20
janeiro
1994
Letícia
31
março
1997

De acordo com os dados apresentados, calcule a idade de cada um, levando em conta o ano e o mês em que está sendo realizado o exercício.

Pedro

Mariana

Carlos

Solange

Letícia


                                                                                    

·        Qual deles é o mais jovem?______________

·        Qual o mais velho? ___________________

·        Qual a diferença de idade entre Pedro e Mariana? ________

·        E a soma das idades de Solange, Letícia e Pedro? _________
 
·        E a soma da idade de todos?_____________

·        Se eu quiser transformar o número acima em dias, quantos serão? _______________

·        Ainda dentro do número acima responda:

Quantas unidades de milhar?_______________

Quantas centenas? ___________________

Quantas dezenas?____________________

Quantas unidades?____________________

3 de abr. de 2013

Uma introdução à Pedagogia da Correspondência em Paulo Freire


Uma introdução à Pedagogia da Correspondência em Paulo Freire

a n introduCtion to the Pedagogy oF CorreSPondenCe
by Paulo Freire

Edgar Pereira Coelho

Mestre em Filosofia – UFJF;
Doutor em Educação/Filosofia da Educação – USP;
Coordenador do Núcleo de Educação de Jovens e Adultos – UFV;
Professor de filosofia Departamento de Educação – Universidade Federal de Viçosa.
Viçosa, MG – Brasil
Edgar.coelho@ufv.br

Resumo: Este texto discute o interesse de Paulo Freire pelo gênero literário carta e pelo gênero de escrita carta. O autor desenvolve a partir da tese de doutorado defendida na FEUSP em 2005, Cartas de Paulo Freire: o diálogo como caminho e pedagogia, que deu origem à construção de Pedagogia da correspondência: Paulo Freire e a educação por cartas e livros, publicado em 2011. A abordagem das cartas seguiu a ordem cronológica de sua elaboração ou recepção, tendo sido distribuídas em três grandes conjuntos: de antes do exílio, durante o exílio e após o exílio. A análise buscou verificar a centralidade de duas categorias do pensamento freiriano: (i) o oprimido, como alvo de sua ação pedagógica e política e (ii) o diálogo como instrumento de desalienação, libertação e promoção do oprimido. Visa demonstrar que esse gênero de escrita (cartas), esse gênero literário (livros em forma de carta) constituíam as formas preferidas de Paulo Freire.

Palavras-chave: Conteúdo da forma. Correspondência. Diálogo. Libertação.

Abstract: This text discusses Paulo Freire’s interest in the literary genre letter and in the written genre letter. From his PhD thesis, defended in 2005 at FEUSP, the author de-velops Letters from Paulo Freire: the dialogue as path and pedagogy, which originated the production of Correspondence Pedagogy: Paulo Freire and Education through letters and books, published in 2011. The letters were handled considering the chronological order of their preparation or receipt, and were distributed in three main groups: before the exile, during the exile, and after the exile. This review sought to verify the centrality of two  categories of freiriano thought: (i) the oppressed, as a target of pedagogical and political action, and (ii) the dialogue as an instrument of liberation, awareness and promotion of the oppressed. It aims to demonstrate that this written genre (letters), and this literary genre (books in the form of a letter) were Paulo Freire’s preferred methods.

Key words: Form content. Correspondence. Dialogue. Liberation.

.

Uma introdução à pedagogia da correspondência em Paulo Freire

Introdução

A ideia de escrever a respeito das cartas de Paulo Freire, nasceu de um longo diálogo que tive com os professores Moacir Gadotti e José Eustáquio Romão, ambos diretores e fundadores do Instituto Paulo Freire do Brasil, em São Paulo, a partir do ano de 2001. Iniciei uma pesquisa em nível de doutorado na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP), finalizada em (2005), com o título Cartas de Paulo Freire: o diálogo como caminho e pedagogia, o que me incentivou a escrever a pedagogia da correspondência: Paulo Freire e a educação por cartas e livros.

Após esse percurso senti-me, cada vez mais, motivado, não só à releitura dos textos construídos, mas também no desejo de coletivizar o aprendido nesses anos, a partir de uma busca cotidiana de reinvenção do
legado de Paulo Freire. Nesse sentido buscarei destacar a singularidade da preferência que ele tinha pela forma de escrita-carta, como o fez em Cartas à Guiné-Bissau (1977), Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar (1993), Cartas a Cristina (2003) e Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas (2000).

É bem possível que não encontremos nenhuma obra de Freire que não tenha como centralidade o diálogo nas suas diversas facetas e a busca da mais acessível comunicabilidade. Não se quer com isso afirmar que ele escreveu obras de pouca profundidade ou que apresente algum tipo de simplismo ou ingenuidade. Ao falar e escrever, sempre o fazia com uma intencionalidade, com posições políticas claras e suas referências marcadas pela libertação de qualquer forma de opressão. Era um apaixonado pela cidadania. Tinha uma enorme convicção de que o ser humano não existe para ser objeto aderido a outrem, mas por vocação ontológica, é sujeito de seu destino, construtor de sua história e de suas autonomias. 

O ser humano se compreende em um estado de inconclusão, de utopia de já ainda não, em constante metamorfose como Freire apresentava a partir do “inédito viável”. A servidão e o autoritarismo não faziam parte de suas categorias. Um fato nos chama atenção na elaboração de seu legado, principalmente as diversas formas de escrever em muitas de suas obras. Freire escreveu inúmeros livros sozinho, como foram as primeiras construções: Educação como prática da liberdade, (2000), Pedagogia do oprimido, (1987 Pedagogia da esperança, (1997), Pedagogia da autonomia, (1997) e tantos outros. Em dado momento de sua vida, inicia uma experiência nova que veio para ficar, que é a construção de obras dialógicas e coletivizadas, juntando-se a isso a característica de denominar algumas de suas obras como cartas e também a experiência do diálogo por meio das cartas, o que será explicitado mais adiante neste texto. 

Para se ter uma ideia, veja com quem ele escreveu: com Moacir Gadotti, Sérgio Guimarães, Antonio Faundez, Carlos Alberto Torres,  Adriano Nogueira, Donaldo Macedo, Ira Shor, Frei Betto, Myles Horton
e outros. Sua epistemologia foi comparada e problematizada com os textos de Pichon Rivière, Habermas, Foucault, Edgar Morin, Vygotsky, Piaget, Heidegger e tantos outros. Como se pode observar, sua práxis o
levou a um processo de considerável divulgação de suas ideias, dialogando com autores e grupos humanos de diversas partes do mundo. Com o passar dos anos vão surgindo novas comparações de seu pensamento, o que demonstra que seu legado foi além de seu tempo, é para o presente e será para o futuro.

Outro momento marcante de suas escritas foi a reinvenção do gênero literário carta, escrevendo inúmeras cartas e livros sob essa forma. Em diversos momentos da história e principalmente no século XVIII muitos filósofos e autores utilizavam a carta, ou o gênero carta, para ludibriarem a censura, como é o caso de Cartas chilenas atribuídas a Tomás Antonio Gonzaga, Cartas persas etc. Paulo Freire não visava ludibriar a censura, mas ser transparente, obstinado na luta com os oprimidos e oprimidas do mundo. São várias as experiências que podemos citar. Vejamos a seguir:

Cartas à Guiné-Bissau

A primeira delas foi Cartas à Guiné-Bissau. Nessa obra percebe-se, inicialmente, que ele faz toda uma elaboração onde se podem constatar as bases de seu pensamento. A primeira parte da obra explicita o seu pensamento, seus referenciais utilizados anteriormente na construção de outras importantes obras. Gadotti afirma em seus diálogos e vídeos, que Cartas à Guiné-Bissau é tão importante quanto a Pedagogia do oprimido. O que escreve na primeira parte não visa explicar a se-gunda, mas prepara para o diálogo político-pedagógico que terá com os guineenses e todo processo que podemos denominar hoje de uma educação à distância por cartas.

A segunda metade da obra é composta de 17 cartas direcionadas a Mário Cabral, comissário da Educação  Cultura de Guiné-Bissau e dele recebidas, e à sua equipe de trabalho. É interessante observar que Paulo Freire fora procurado anteriormente por Mário Cabral, que lhe fez uma solicitação de apoio no projeto de alfabetização de adultos para os guineenses. As cartas comprovam isso. “Acabo de receber sua carta em que confirma o interesse do Governo por nossa colaboração […]” (FREIRE, 1977, p. 93). Ele aceitou o desafio, estabelecendo um critério de que não levaria nenhum projeto pronto para aquele povo e tinha a convicção de que eles não começariam do zero, pois partiam de suas riquezas culturais, de seus caminhos e descaminhos percorridos. O apoio de sua equipe seria o de fazer com, construído com eles e não sobre eles os projetos a serem realizados.

Um projeto de alfabetização que influenciaria concretamente na reorganização daquele país. Não estaria indo à Guiné-Bissau levando soluções previamente estabelecidas nem como um técnico que presta assessoria desconsiderando a problemática vivenciada pelas pessoas envolvidas na trama de um pós-guerra. Nessa obra Paulo Freire reitera a Mário Cabral que, por meio da educação, o povo se transformaria em protagonista de sua própria história. Queria ele contribuir com esse processo de “gentificação”, como ele mesmo gostava de afirmar, ao contrário da “desgentificação” lá ocorrida. Trata-se de uma relação amorosa, comprometida com uma operosa cidadania.

Na realidade apresentada, merece destaque o fato de que ele utilizou a carta como instrumento dialógico entre os dois grupos de trabalho. Por intermédio da carta ele não deixava romper a comunicação no processo de construção e execução dos projetos em andamento. Como se pode constatar em suas próprias palavras, ele assume o ônus da atitude de escrever ao mesmo tempo em que os fatos estavam acontecendo e não escreve cartas meramente para publicá-las, mas por uma convicção de que se tratava de um meio de se fazer presente nas realidades ainda que distantes. 

No trato com os camaradas de Guiné ele se referencia, dialoga e divulga as ideias do grande líder africano, Amilcar Cabral, do Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC) em uma permanente luta anticolonial, na qual se dedicavam a uma formação política e ideológica e a trabalhos voltados para a educação nas zonas libertadas durante as guerrilhas contra as tropas portuguesas. Buscaram o respeito à pluralidade dos povos como ponte de ligação histórica e identitária com o mundo em suas militâncias. Entre os avanços e percalços, eles reiteraram o ensinar e o aprender na busca pelo equilíbrio na prática da construção de saberes. Isto só é possível num exercício crítico e inteligente de aprender com as experiências ao longo de sua história, refletindo o valor histórico e humano que há na multiplicidade cultural, local e social que se esboçava naquele tempo em Guiné-Bissau. Como se pode constatar as obras escritas em forma de carta ou com subtítulos, assim apresentados, contêm semelhanças e dessemelhanças. Vejamos a seguir:

Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar

Em Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar (2003), Paulo Freire utiliza o gênero literário carta enumerando-as em dez, mas não encontramos, portanto, nesse livro nenhuma carta real dirigida a quem quer
que seja, como é o caso de Guiné-Bissau, cujos destinatários eram MárioCabral e equipe. Freire escreve um livro em forma de carta, dirigido aos professores que ousam “ensinar”, ou seja, educadores de todas as paragens e, principalmente, às mulheres educadoras. 

Ele revela mais uma vez seu compromisso ético-político, sempre acompanhado de uma delicadeza pouco comum no meio acadêmico. 

Nele a razão crítica está aliada ao desejo, às emoções, aos sentimentos, mas nem por isso se mostra menos exigente, não havendo dicotomia entre razão e emoção. Numa argumentação clara, demonstra porque não se pode reduzir a professora à condição de tia: pelo simples fato de que este é um recurso ideológico, com o intuito de descaracterizar e desmobilizar o professorado, pois ser “tia” é uma condição dada da qual se espera um carinho incondicional, apaziguado, determinado; ser “professora, não”, é uma posição conquistada, é uma opção que leva em consideração uma série de fatores, tais como salário, reconhecimento, entraves institucionais, formação continuada, posicionamento político, etc.

As motivações para esta escolha, advertia Freire, devem ser antes de tudo políticas. Nossa escolha pela docência deve estar imbuída pela dignidade e pela importância de nossa tarefa, esta, fundamental para o ser
humano, em qualquer sociedade. Durante toda obra nos lembra que os problemas ligados à educação não são apenas pedagógicos, são políticos, éticos, econômicos, culturais, estéticos e, a partir deles, convoca a todos e a todas, sem sectarismo, a se assumirem profissionalmente com esta consciência e com posicionamentos progressistas.Freire, (2003, p. 55-64), elenca uma série de qualidades, indispensáveis aos educadores, que devem ser gestadas na prática docente, tais como: “humildade”, aquela que nos lembra sempre que temos algo a aprender; “amorosidade”, ou que ele chama de “amor brigão”, aquele que por amar ensinar, defende a profissão com determinação; “coragem”, para reconhecer o medo e não se deixar paralisar por ele, educando-o; “tolerância”, que nos ensina a conviver com o diferente; “decisão”, que implica opção, ruptura; “segurança”, que demanda competência científica, clareza política, integridade ética; a “tensão entre paciência e impaciência”, que deve caminhar no sentido da atuação impacientemente paciente.

É impressionante a clareza e, ao mesmo tempo, a singeleza com que Paulo Freire vai da estrutura capitalista ao cotidiano escolar, como mapeia os problemas educacionais mais amplos e concomitantemente os localiza
na sala de aula, não lhe escapam as várias interdições que nos impedem de ser, mas também valoriza o sonho, a imaginação, a poesia. Trata com a mesma veemência, a relação política e a relação entre educador e educandos, que para ele são faces da mesma moeda, ou seja, são relações que exigem intervenções democráticas e dialógicas.

São dez cartas endereçadas “a quem ousa ensinar” nas quais, reitera damente, o autor põe acento à questão política, nos alerta para o risco da acomodação fatalista em que muitos de nós, educadores, nos instalamos e afirma:

Esta é na verdade a posição mais cômoda, mas é também a posição de quem se demite da luta, da História. É a posição de quem renuncia ao conflito, sem o qual negamos a dignidade da vida. Não há vida nem  humana existência sem briga e sem conflito. O conflito parteja nossa consciência. Negá-lo é desconhecer os mais mínimos pormenores da experiência vital e social. Fugir a ele é ajudar a preservação do status quo (FREIRE, 2003, p. 64).

Em Professora sim, tia não, ele reinventa o gênero literário carta ou cria um subgênero. Há uma enumeração das cartas, como se constata, mas não existem cartas como no livro Cartas à Guiné-Bissau, que não foi escrito em forma de carta, mas contém 17 cartas reais. Não há, aqui, o intuito de ludibriar a censura. Trata-se de uma obra aberta a todas as pessoas ousadas no trato com o ensino. Esta obra tornou-se uma importante referência no debate e em embates de políticas educacionais, chegando na 12. edição, com mais de 50 mil exemplares editados, pouco significativo se comparado com Pedagogia da autonomia que já ultrapassou 1 milhão.

Na obra seguinte, Freire denominou Cartas a Cristina (2002), retornando ao estilo adotado em Cartas à Guiné-Bissau, pois, em ambos os livros, existem cartas reais, onde os interlocutores são identificados, ao contrário do livro Professora sim, tia não, no qual o destinatário não se encontra definido. Conforme indica o título do livro, destina-se como vimos, aos educadores que “ousam” ensinar. Já em Cartas a Cristina, encontramos aspectos tanto de Cartas à Guiné-Bissau, como de Professora sim, tia não.

Cartas a Cristina: reflexões sobre minha vida e minha práxis 

Nessa obra há apenas duas cartas, no sentido mais próprio da palavra: a que Cristina escreveu a Paulo Freire e a da transição (Carta Décima Terceira) do primeiro para o segundo “blocos” da obra, como ele mesmo os denomina. Por solicitação da sobrinha Cristina, curiosa em conhecer melhor a história do “Tio Paulo”, escreve Cartas a Cristina. Preferiu respondê-la fazendo uma espécie de autobiografia, o que não era
muito o seu estilo, falar de si mesmo. Refletiu com profundidade sobre a sua vida e a sua práxis, demonstrando uma outra face da privação, que denominou “pobreza fechada”, isto é, uma aparente estabilidade econômico-social e a falta de condições essenciais de sobrevivência. A classe média recifense passava na época por um empobrecimento, que afetou sua família e, então, ele conheceu como criança a pobreza aberta e fechada. A aberta é composta pelas crianças e adolescentes dos mocambos, que transitavam pelas ruas e vilas como pedintes e necessitados à vista. A pobreza fechada foi a que ele experimentou como filho da classe média, vivencia em seu corpo a falta de alimento e afirma ter passado fome. Sua sobrinha Cristina, ao escrever-lhe, recorda das inúmeras cartas trocadas entre eles e reitera o quanto a história do tio influenciava na construção de sua história.

Sinto que o exercício diário de lidar com as discrepâncias sociais, às vezes, é imensamente cansativo e desgastante, mas sempre muito rico em emoções, aprendizagens, insights, etc.,e é essa riqueza, penso eu, que você nunca deixou escapar de sua compreensão no e do mundo e que, consequentemente, o estimula para o seu trabalho e seu acreditar na capacidade do outro (FREIRE, 2002, p. 246).

Ao construir esta obra Paulo Freire já passava dos 70 anos, redimensionando suas vivências, atribuindo-lhes novos sentidos e significados, dentro de uma perspectiva de reorganização de sua história, face ao papel social de educador, por ele assumido. Dialogicamente, nos alerta sobre a ligação existente entre sua história de vida e a realidade brasileira, trazendo o leitor para uma reflexão sobre o papel da memória: voltar ao passado, com os pés no presente, antecipando um futuro mais promissor. 

A memória possibilita uma educação testemunhal, coerente, entre o que se fala e o que se vive. A vida de Freire foi repleta de relações pessoais, sociais, culturais, políticas, no Brasil e no exterior que o qualificaram a falar com homens e mulheres sobre a utopia de viver completamente em pleno inacabamento, a nossa humanidade.

Quando nos relembra sua vida, vivida com intensidade, com curiosidade de “menino conectivo”, percebe-se que esta resultou em criatividade, sensibilidade, perspicácia, força e determinação, por meio da educação.

Ao contrário de um esperado discurso fatalista, traduz sua experiência em direção à esperança, que o motiva a lutar para a superação das relações de opressão. Seu discurso não é de gabinete, é construído cotidianamente, dialeticamente, entre a prática e a teoria. Sua vivência se farta das vivências dos outros. De suas relações, nasce a necessidade de entender as contradições entre a beleza de viver e a malvadeza da miséria, entre o avanço tecnológico e a exclusão.

Sobre a simbologia dos objetos que o cercavam, chama atenção, de modo especial, a história de um relógio grande que ficava na sala de jantar de sua antiga casa:

Muitas vezes atravessei a noite abraçado com o meu medo, debaixo do lençol, ouvindo o relógio grande, que ficava na sala de jantar, romper o silêncio com suas pancadas sonoras. Em tais oportunidades, se estabelecia entre mim e o relógio grande uma relação especial. Reforçando misteriosamente os condicionamentos de meu medo, o seu tic-tac ritimado me dizia também, dentro do silêncio fundo, que ele era uma presença desperta, marcando o tempo que eu precisava que ‘corresse’ e um bem estranho ao relógio grande me tomava todo. Uma vontade de dizer ao relógio grande: ‘muito obrigado, porque você está aí, vivo, acordado, quase velando por mim’. Hoje, tão longe daquelas noites e daquela sensação, ao escrever sobre o que sentia, re-vivo o afeto mágico ao relógio grande. Escuto o relógio grande, e tenho, de repente, na memória de meu corpo, a claridade indecisa da lamparina sublinhando a escuridão da casa, a geografia da casa, o quarto em que dormia, a distância entre ele e a sala onde batia confortavelmente o relógio grande. (FREIRE, 2002, p. 52).

Aqui se observa até mesmo a veia poética de Paulo Freire e a capacidade que tinha de utilizar a simbologia de maneira metafórica empapada de afetividade e de uma fina sensibilidade humana. Pode-se constatar, que Cartas a Cristina revela com detalhes toda a história de vida do “andarilho da utopia”. Verifica-se que Cartas a Cristina é diferente em alguns aspectos da próxima obra, mas existem também algumas semelhanças.

Pedagogia da indignação: cartas pedagógica e outros escritos

Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos (2000), não foi organizado pelo Paulo Freire, mas pela Ana Maria Araújo Freire, que reuniu alguns dos últimos escritos e inúmeras cartas reais de Freire
nessa obra. 

Veja que curioso o fato de Paulo Freire morrer escrevendo o seu último texto ao mundo em forma de carta, certamente por se tratar de seu estilo mais preferido e, coincidentemente, ficou inacabado. Nesse texto ele coloca-se iracundo com a desfaçatez dos jovens que incendiaram o índio Galdino, afirmando ter sido um equívoco, pois pensaram tratar-se de um mendigo.

Que coisa estranha, brincar de matar índio, de matar gente. Fico a pensar aqui, mergulhado no abismo de uma profunda perplexidade, espantado diante da perversidade intolerável desses moços desgentificando-se, no ambiente em que decresceram em lugar de crescer (FREIRE, 2000, p. 66, grifos do autor).

Esta última obra desta breve introdução ao estudo das cartas nos remete a uma grande emoção, pois carrega parte dos derradeiros escritos de Paulo Freire, denominados de Cartas pedagógicas onde ele expressa, por escrito, sua preocupação de educador-político. Aborda temas atuais com muita sabedoria e “indignação”, oferecendo-nos pistas extraordinariamente ricas e desafiadoras para novas leituras e releituras de seus escritos.

As Cartas pedagógicas discorrem assuntos como “a tirania da liberdade” onde ele parte de um momento do dia a dia e nos leva a repensar quando fala que “Se, na verdade, não estou no mundo para simplesmente a ele me adaptar, mas para transformá-lo […]” (FREIRE, 2000, p. 33).

Também fala sobre a tensa relação entre autoridade e liberdade segundo ele “[…] ambas se comprometem na prática educativa com o sonho democrático de uma autoridade ciosa de seus limites em relação com uma liberdade zelosa igualmente de seus limites e de suas possibilidades […]” (FREIRE, 2000, p. 35).

Na segunda carta, ele afirma que, para transformar o mundo precisamos ter um sonho com utopia e projetos; salienta sobre os efeitos da globalização e da importância da subjetividade, a luta constante dos sem-terra e principalmente sobre a esperança de um mundo onde a mudança seja possível e nossos sonhos também. Reitera a importância de que todos e todas percebamos que o Brasil é nosso e que necessitamos empreender nossas lutas em todos os níveis sem violência. O Brasil não pode continuar sendo de poucos, daí a importância de lutarmos com todas as marchas existentes, “das mulheres, dos sem-terra, dos oprimidos e esfarrapados da terra”.

Se a nossa opção é progressista, se estamos a favor da vida e não da morte, da equidade e não da injustiça, do direito e não do arbítrio, da convivência com o diferente e não de sua negação, não temos outro caminho senão viver plenamente a nossa opção. Encarná-la, diminuindo assim a distância entre o que fizemos e o que fazemos (FREIRE, 2000, p. 67).

Na segunda parte da obra denominam-se “outros escritos” textos selecionados para uma leitura crítica e reflexiva para se entender os novos desafios do mundo globalizado, com os seus efeitos nocivos para os humanos.

A utilização da carta real como diálogo

Foi apresentada, até o momento, a relação com o gênero carta nessas quatro importantes obras e com as cartas no interior dessas obras. Mas a pesquisa estendeu-se também ao interesse que Paulo Freire tinha pela
comunicação por meio das missivas, das cartas de próprio punho cuja experiência praticou com muita frequência. Escreveu e recebeu cartas de pessoas de diversas partes do mundo. Desde o trabalhador sem-terra, dos amigos, dos religiosos e de chefes de Estado. Inúmeras delas se referiam a convites para participações em fóruns, congressos ou para ser paraninfo de alguma turma das mais diversas universidades brasileiras etc. Outras, com o objetivo de compartilhar ideias que ultrapassavam as fronteiras. Entre tantas que se encontram em minha tese de doutorado, já citada, quero destacar apenas uma que, a meu ver, demonstra como Freire compreendia já naquela época a utilização da carta, um meio quase que fadado ao desaparecimento, dando lugar ao email e a outras formas de comunicação, via internet.

São Paulo, 19 de janeiro de l989.

AOS QUE FAZEM A EDUCAÇÃO CONOSCO EM SÃO PAULO

Assim que aceitei o convite que me fez a prefeita Luiza Erundina para assumir a Secretaria de Educação da cidade de São Paulo pensei em escrever aos educadores, tão assiduamente quanto possível, cartas informais que pudessem provocar um diálogo entre nós sobre questões próprias de nossa atividade educativa.

Não que tivesse em mente substituir com as cartas os encontros diretos que pretendo realizar com vocês, mas porque pensava em ter nelas um meio a mais de viver a comunicação necessária entre nós.

Pensei também que as cartas não deveriam ser escritas só por mim. Educadoras e educadores outros seriam convidados a participar desta experiência que pode constituir-se num momento importante da formação permanente do educador.

O fundamental é que as cartas não sejam apenas recebidas e lidas, mas discutidas, estudadas e, sempre que possível, respondidas… (ARQUIVOS PAULO FREIRE, 1996, v. 3).

Veja que interessante o tratamento que ele dá à carta. Era naquele momento Secretário de Educação da Cidade de São Paulo, no governo de Luiza Erundina. Queria manter um contato permanente com educadores e educandos e para isso propõe a carta como um dos meios importantes para se manter o diálogo entre ele, equipe de trabalho e educadores. Observe que ele não se coloca no centro da comunicação, informando que as cartas poderiam e deveriam ser escritas também por outros educadores e educadoras. Fica clara a ideia de que não se tratava de qualquer carta, pois elas deveriam ser discutidas, estudadas, lidas e respondidas. Apresenta a carta como um importante meio de formação permanente dos educadores.

Na verdade Paulo Freire era uma pessoa de existência engajada e comprometida com um processo de libertação muito mais amplo do que se imagina. Mesmo nas cartas aos amigos não perdia a oportunidade de
contribuir com alguma situação que se fizesse necessária a sua opinião, para concordar ou discordar radicalmente com determinada situação. 

Escrevendo livros em forma de cartas, seja pelas inúmeras cartas neles publicadas e pelas enviadas e recebidas, realizava uma espécie de educação “virtual” a distância. Nos países africanos, com estudiosos de seu pensamento ou na relação de trabalho na Secretaria de Educação de São Paulo ou, ainda, nos movimentos sociais espalhados pelo mundo, seu compromisso era dialogar e contribuir para uma nova história, um novo tempo, uma nova sociedade.

Ele ultrapassava a mera valoração de conteúdos, dando maior importância à forma e às concepções pedagógicas. O gênero carta é dialógico e pedagógico na sua própria natureza. A escrita em forma de carta ou por meio do gênero carta nos leva a um envolvimento pessoal em nossas relações com os outros. É o gênero de escrita que mais se aproxima do sujeito oprimido que, mesmo não sabendo ler, solicita que o outro escreva e leia para ele. É um convite permanente ao diálogo. Quem escreve carta sai da centralidade e provoca a participação do outro. Por meio das formas ele apresenta aquilo que é mais essencial na relação educando-educador.

Ele não queria distância e nem intervalos sem notícias, por isso estava sempre escrevendo aos seus interlocutores das diversas partes do mundo.

Diferentemente de autores que valorizavam a forma do conteúdo, ele explicita que o mais importante é o conteúdo da forma. Havia uma intencionalidade quando escrevia “cartas”. A forma que produz o diálogo, a
comunicação, a interação.

O que se percebe é que Paulo Freire dá base e fundamenta uma relação humana marcada pelas alternâncias educativas e isso se comprova tanto em seus livros como nas inúmeras cartas que escreveu e pelas suas “andarilhagens”. Certamente se aqui estivesse ele estaria lutando por uma universidade popular para estes tempos e para o futuro. Como ele não está, cabe a cada um de nós empenhar-nos decididamente com todos os freirianistas do mundo para que isso ocorra ampla e irrestritamente no século XXI.

Referências

COELHO, Edgar Pereira. Cartas de Paulo Freire: o diálogo como caminho e pedagogia. (2005). Tese. (Doutorado em Educação)- Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.

______. Pedagogia da correspondência: Paulo Freire e a educação por cartas e livros. Brasília, DF: Líber Livros, 2011.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez, 1998.

______. Cartas a Cristina. 4. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1994.

______. Cartas a Guiné-Bissau. Registros de uma experiência em processo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.

______. Para trabalhar com o povo. 2. ed. São Paulo: Centro de Capacitação da Juventude, 1992.

______. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1997b.

______. Pedagogia da esperança. São Paulo: Paz e Terra, 1997c.

______. Pedagogia da indignação. Cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: Unesp, 2000 (organização de Ana Maria de Araújo Freire).

______. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

______. Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar. 12. ed. São Paulo: Olho d’Água, 2002.

______; DAMASCENO, Alberto. Educação como ato político partidário. São Paulo: Cortez, 1989.

______.; FAUNDEZ, Antonio. Por uma pedagogia da pergunta. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 2002.

______.; GADOTTI, Moacir; FREIRE, Paulo; GUIMARÃES, Sérgio. Pedagogia: diálogo e conflito. 5. ed. São Paulo: Cortez/Autores Associados, 2000.

______.; GUIMARÃES, Sérgio. Aprendendo com a própria história. v.1. Rio de  Janeiro: Paz e Terra, 1987.

______. Aprendendo com a própria história. v. 2. São Paulo: Paz e Terra, 2000.

______. A África ensinando a gente. São Paulo: Paz e Terra, 2003.

______. Sobre educação: diálogos. 4. ed. v. I. São Paulo; Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.

______. Sobre educação: diálogos. 2. ed. v. II. Rio de Janeiro: 1986.

______; MACEDO, Donaldo. Alfabetização. Leitura do mundo, leitura da palavra. São Paulo: Paz e Terra, 2002.

______; SHOR, Ira. Medo e ousadia. O Cotidiano do professor. São Paulo: Paz e
Terra, 1987.

GONZAGA, Tomás Antonio. Marília de Dirceu e cartas chilenas. São Paulo: Ática,
1998.

CURIOSIDADES DA MATEMÁTICA


CURIOSIDADES DA MATEMÁTICA

Pense em qualquer número  inteiro positivo.
Se o número for par, divida-o por dois.
Se o número for ímpar, multiplique por 3 [três] e some 1 [um].

Exemplos:

Supondo que esta operação seja realizada com um número impar, ou seja, com o número 3, o resultado é 10, pois (3.3)+1=10, concorda? E, se caso for um número par, por exemplo, 28, o resultado será 14, pois 28/2=14. 

arquimedes na banheira com seus trabalhos científicos - EUREKA!
Agora, suponha que você executa a mesma operação várias vezes, onde o resultado é usado como o valor para a próxima operação.
Então, supondo que você começa com o número par 6, você começa a sequência de 6, 3, 10, 5, 16, 8, 4, 2, 1, 4, 2, 1, ...
Veja que, não importa o número [valor] que você use como primeiro número, sempre, ficará preso na sequencia: {... 4, 2, 1, 4, 2, 1...}.


Faça você mesmo o teste!

Pelas minhas pesquisas quanto eu sei que isso não foi provado, mas ele foi testado para todos os valores iniciais até 13 × 258, Mas no momento que você lê este artigo já pode ser muito maior.

Na matemática chamamos isso de "Conjectura de Collatz", ou "sequencia da montanha-russa", ou ainda "Problema de Siracusa". Você pode ler mais sobre isso aqui http://en.wikipedia.org/wiki/Collatz_conjecture.

Observação: O matemático alemão Gerhard Opfer publicou em maio de 2011 uma prova da conjectura.


REFERÊNCIAS:
  1. http://en.wikipedia.org/wiki/Collatz_conjecture
  2. http://www.math.uni-hamburg.de/home/opfer/
  3. http://www.rechenkraft.net/
  4. http://www.kusadasi.tv/