BEM VINDO




3 de jan de 2013

PLANO DE AULA Tema : a abolição da ecsravatura no Brasil.


Claudia Fernanda de Mello RA: 0922981
Débora Madruga da Nóbrega Arendt - 0922988
Érica Paskevicius Serralheiro – 0922972


PLANO DE AULA

Tema : a abolição da ecsravatura no Brasil.

Objetivos: PCN pag 43
Procedimentos:
  • análise de documentos de diferentes naturezas;
  • troca de informações sobre os objetos de estudo;
  • formulação de hipóteses e questões a respeito dos temas estudados;
  • registro em diferentes formas;
Ano: quinta ou sexta série do ensino fundamental.

Tempo estimado: 2 aulas de 45 minutos.
Desenvolvimento da atividade:
Atividade 1: Sugestões de perguntas:
O que conhecem sobre a abolição da escravatura do Brasil?
Quem fez a lei da abolição?
Da onde surgiu a ideia de abolição?
Foi só a princesa Isabel que fez a abolição, o que aconteceu para que se chegasse na Lei?
Alguem conhece um dos sujeitos (abolicionista)? ( que mostrará ao aluno pelo Data Show).
Material para aula: lousa/ datashow
Então colocaríamos os nomes embaixo das imagens e perguntaríamos novamente. Alguns falariam que Rebouça é o nome da avenida e por aí vai.

Atividade 2:
Lê-se a Lei Áurea (no slide);

Entregar em grupos, textos dos jornais abolicionista, poesias do Castro Alves e etc.

E daí, após a leitura poderíamos perguntar novamente o que eles descobriram com tais leituras.

Os mais espertos iriam falar que Castro Alves era poeta e que falava da escravidão entre outras coisas. E só aí poderíamos falar quem são aqueles sujeitos no data show.
Mostra-se o slides com a imagem de alguns abolicionista com os nomes deles e perguntar novamente aos alunos se eles agora os reconhecem... algum aluno vai citar o nome de uma rua, uma avenida, etc.

Atividade 3.
Formar grupos com os alunos e entregar uma espécie de kits, com poesias, ilustrações, textos, etc, para que eles possam organizar suas idéias e formular hipóteses.

Após um tempo, (podemos mostrar os slides com os tais textos para a sala), professor e aluno discutiriam as hipóteses criadas. Como a aula é de 45 minutos, o professor poderia escolher um dos caras e contar a história dele.

Sugestão.
Num segundo momento, o professor poderia sugerir uma pesquisa sobre os abolicionistas (ou outros) e poderia estabelecer um produto final.




Término do trabalho.
Ao final da nossa fala, poderíamos mostrar a sala que seguimos a ordenação do PCN nesta atividade (é só mostrar o slide) e que acreditamos ser uma aula que segue a linha da construção do processo histórico e não simplesmente do fato histórico (já que vamos de Zumbi a princesa Isabel neste recorte que fizemos), portanto, com tendência marxista. E aí é só esperar as críticas! Rsrsrs
Resumo da tragedoria até a libertação dos escravos.
Se formos falar pelo modelo marxista, devemos explicar todas as etapas sobre a abolição da Escravatura no Brasil, podemos começar que ao falarmos em escravidão, é difícil não pensar nos portugueses, espanhóis e ingleses que superlotavam os porões de seus navios de negros africanos, colocando-os a venda de forma desumana e cruel por toda a região da América.

Sobre este tema, é difícil não nos lembrarmos dos capitães-de-mato que perseguiam os negros que haviam fugido no Brasil, dos Palmares, da Guerra de Secessão dos Estados Unidos, da dedicação e idéias defendidas pelos abolicionistas, e de muitos outros fatos ligados a este assunto.

Apesar de todas estas citações, a escravidão é bem mais antiga do que o tráfico do povo africano. Ela vem desde os primórdios de nossa história, quando os povos vencidos em batalhas eram escravizados por seus conquistadores. Podemos citar como exemplo os hebreus, que foram vendidos como escravos desde os começos da História.

Muitas civilizações usaram e dependeram do trabalho escravo para a execução de tarefas mais pesadas e rudimentares. Grécia e Roma foi uma delas, estas detinham um grande número de escravos; contudo, muitos de seus escravos eram bem tratados e tiveram a chance de comprar sua liberdade.  

Escravidão no Brasil

No Brasil, a escravidão teve início com a produção de açúcar na primeira metade do século XVI. Os portugueses traziam os negros africanos de suas colônias na África para utilizar como mão-de-obra escrava nos engenhos de açúcar do Nordeste. Os comerciantes de escravos portugueses vendiam os africanos como se fossem mercadorias aqui no Brasil. Os mais saudáveis chegavam a valer o dobro daqueles mais fracos ou velhos.

O transporte era feito da África para o Brasil nos porões do navios negreiros. Amontoados, em condições desumanas, muitos morriam antes de chegar ao Brasil, sendo que os corpos eram lançados ao mar.

Nas fazendas de açúcar ou nas minas de ouro (a partir do século XVIII), os escravos eram tratados da pior forma possível. Trabalhavam muito (de sol a sol), recebendo apenas trapos de roupa e uma alimentação de péssima qualidade. Passavam as noites nas senzalas (galpões escuros, úmidos e com pouca higiene) acorrentados para evitar fugas. Eram constantemente castigados fisicamente, sendo que o açoite era a punição mais comum no Brasil Colônia.

Eram proibidos de praticar sua religião de origem africana ou de realizar suas festas e rituais africanos. Tinham que seguir a religião católica, imposta pelos senhores de engenho, adotar a língua portuguesa na comunicação. Mesmo com todas as imposições e restrições, não deixaram a cultura africana se apagar. Escondidos, realizavam seus rituais, praticavam suas festas, mantiveram suas representações artísticas e até desenvolveram uma forma de luta: a capoeira.

As mulheres negras também sofreram muito com a escravidão, embora os senhores de engenho utilizassem esta mão-de-obra, principalmente, para trabalhos domésticos. Cozinheiras, arrumadeiras e até mesmo amas de leite foram comuns naqueles tempos da colônia.
Podemos dar como exemplo a novela escrava Isaura.

No Século do Ouro (XVIII) alguns escravos conseguiam comprar sua liberdade após adquirirem a carta de alforria. Juntando alguns "trocados" durante toda a vida, conseguiam tornar-se livres. Porém, as poucas oportunidades e o preconceito da sociedades acabavam fechando as portas para estas pessoas.

O negro também reagiu à escravidão, buscando uma vida digna. Foram comuns as revoltas nas fazendas em que grupos de escravos fugiam, formando nas florestas os famosos quilombos. Estes, eram comunidades bem organizadas, onde os integrantes viviam em liberdade, através de uma organização comunitária aos moldes do que existia na África. Nos quilombos, podiam praticar sua cultura, falar sua língua e exercer seus rituais religiosos. O mais famoso foi o Quilombo de Palmares, comandado por Zumbi.

Zumbi dos Palmares
(1655?–1695)

Zumbi nasceu em Palmares, em 1655. Era neto da princesa Aqualtune, filha de um importante rei do Congo. Ainda bebê, Zumbi foi aprisionado pela expedição de Brás da Rocha Cardoso e entregue ao padre Antônio Melo, em Porto Calvo. Recebeu o nome de Francisco e uma educação formal. Aos 10 anos, já sabia latim e português e, aos 12, tornou-se coroinha. A inteligência do menino recebia elogios do padre, segundo relatam registros existentes.

Com 15 anos, Francisco fugiu de volta a Palmares, adotando o nome de Zumbi e passando a fazer parte da Família Real, pois foi adotado pelo então rei Ganga Zumba. A nação palmarina começou a se formar por volta de 1597, com Aqualtune. Rapidamente a comunidade cresceu, porque era constantemente alimentada pela chegada de negros fugidos, de índios e de brancos pobres. Palmares chegou a ter 30 mil habitantes e, com sua organização e conseqüente fortalecimento, passou a ser visto como uma ameaça perigosa ao poder colonial. Além de praticarem uma agricultura considerada avançada para os padrões da época, desenvolveram uma atividade metalúrgica organizada para sua defesa e subsistência e chegaram a estabelecer comércio com localidades próximas.

Entre 1596 e 1716, os palmarinos resistiram a 66 expedições coloniais, tanto de portugueses como de holandeses. Foi a maior e mais longa expressão contestatória da escravidão em todo o mundo. De todos os líderes da resistência negra, dois se tornaram conhecidos: Ganga Zumba e Zumbi. Zumbi, porém, foi o líder mais famoso da confederação de quilombos de Palmares, que se estendia pelos territórios atuais de Alagoas e Pernambuco.

Ganga Zumba, cansado de muitas guerras, assinou um acordo de paz com os portugueses, em 1678. Isso desagradou uma parte significativa dos quilombolas, que viam a transferência para Cucaú como uma forma de controlar a comunidade, além de não resolver o problema da escravidão. Foi nesse momento que Zumbi rompeu com Ganga Zumba, sendo aclamado Grande Chefe por aqueles que ficaram em Palmares.

Durante um ataque em 1694, Zumbi caiu ferido em um desfiladeiro, o que gerou o mito de que o herói se suicidara para evitar a escravização. No entanto, em 1695, Zumbi voltou a comandar ataques, mostrando que estava vivo.

Depois de 17 anos de combates, Zumbi foi traído por um de seus principais comandantes, Antônio Soares, e assassinado durante expedição de Domingos Jorge Velho, em 20 de novembro de 1695. A cabeça de Zumbi foi decepada e levada para Recife, onde foi pendurada em local público até sua total decomposição. Palmares resistiu ainda por mais de 30 anos antes de sucumbir definitivamente. Em homenagem a Zumbi, a data de sua morte foi escolhida como Dia Nacional da Consciência Negra.

Campanha Abolicionista e a Abolição da Escravatura

A partir da metade do século XIX a escravidão no Brasil passou a ser contestada pela Inglaterra. Interessada em ampliar seu mercado consumidor no Brasil e no mundo, o Parlamento Inglês aprovou a Lei Bill Aberdeen (1845), que proibia o tráfico de escravos, dando o poder aos ingleses de abordarem e aprisionarem navios de países que faziam esta prática.

Em 1850, o Brasil cedeu às pressões inglesas e aprovou a Lei Eusébio de Queiróz que acabou com o tráfico negreiro. Em 28 de setembro de 1871 era aprovada a Lei do Ventre Livre que dava liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir daquela data. E no ano de 1885 era promulgada a Lei dos Sexagenários que garantia liberdade aos escravos com mais de 60 anos de idade.

Somente no final do século XIX é que a escravidão foi mundialmente proibida. Aqui no Brasil, sua abolição se deu em 13 de maio de 1888 com a promulgação da Lei Áurea, feita pela Princesa Isabel.

1850 – LEI EUSÉBIO DE QUEIRÓS

Em 8 de agosto de 1845 a Grã Bretanha editou o Slave Trade Suppression Act (Aberdeen Act), mais conhecido no Brasil como Bill Aberdeen, uma lei que proibia o comércio de escravos entre a África e a América. Proposta por George Hamilton-Gordon (lord Aberdeen), ela considerava o tráfico de escravos como pirataria e atribuía às embarcações de guerra de seu país o direito de apreender navios negreiros que se dirigissem ao Brasil, o que acabou criando inúmeros incidentes diplomáticos com o império brasileiro.

Temendo novas ações da Inglaterra, Eusébio de Queirós, ministro da Justiça, apresentou projeto de lei visando à adoção de medidas mais eficazes para a extinção do tráfico negreiro. Apoiado nos mais “sólidos princípios do direito das gentes”, o projeto foi aprovado pelo Parlamento em setembro de 1850, provocando muitos protestos. Ao depor na Câmara dos Deputados, em 16 de julho de 1852, o ministro lembrou que muitos fazendeiros tinham hipotecado suas terras para grandes traficantes - entre os quais inúmeros portugueses - a fim de obter recursos destinados à compra de cativos. E prosseguiu dizendo que "os escravos morriam, mas as dívidas ficavam e, com elas, os terrenos hipotecados". Diante desse contexto, Eusébio de Queirós apelou para a mudança da opinião pública quanto à extinção do tráfico, acentuando a possibilidade “da nossa propriedade territorial” passar das mãos dos fazendeiros para “os especuladores e traficantes”. Além disso, ele apontou outra razão para a extinção do tráfico ao argumentar que se negros cativos continuassem a entrar no império, como acontecera nos últimos anos, o desequilíbrio entre livres e escravos se transformaria em ameaça os primeiros, ficando a "boa sociedade" exposta a "perigos gravíssimos", uma vez que tal desequilíbrio já causara inúmeras rebeldias de escravos, como a acontecida em 1835 na Revolta dos Malês, em Salvador, e as que ocorriam no Rio de Janeiro, onde por ser a massa escrava numericamente significativa, as insurreições negras vinham espalhando terror entre os cidadãos brancos de municípios como Valença e Vassouras.


Lei do Ventre Livre

A Lei do Ventre Livre, também conhecida como “Lei Rio Branco” foi uma lei abolicionista, promulgada em 28 de setembro de 1871 (assinada pela Princesa Isabel). Esta lei considerava livre todos os filhos de mulher escravas nascidos a partir da data da lei.

Como seus pais continuariam escravos (a abolição total da escravidão só ocorreu em 1888 com a Lei Áurea), a lei estabelecia duas possibilidades para as crianças que nasciam livres. Poderiam ficar aos cuidados dos senhores até os 21 anos de idade ou entregues ao governo. O primeiro caso foi o mais comum e beneficiaria os senhores que poderiam usar a mão-de-obra destes “livres” até os 21 anos de idade.

A Lei do Ventre Livre tinha por objetivo principal possibilitar a transição, lenta e gradual, no Brasil do sistema de escravidão para o de mão-de-obra livre. Vale lembrar que o Brasil, desde meados do século XIX, vinha sofrendo fortes pressões da Inglaterra para abolir a escravidão.


Lei dos Sexagenários: liberdade aos escravos com mais de 60 anos de idade
Lei dos Sexagenários

A Lei dos Sexagenários, também conhecida como Lei Sararaiva-Cotegipe, foi promulgada em 28 de setembro de 1885. Essa lei concedia liberdade aos escravos com mais de 60 anos de idade.
A lei beneficiou poucos escravos, pois eram raros os que atingiam esta idade, devido a vida sofrida que levavam. Os que chegavam aos 60 anos de idade já não tinham mais condições de trabalho. Portanto, era uma lei que acabava por beneficiar mais os proprietários, pois podiam libertar os escravos pouco produtivos. Sem contar que a lei apresentava um artigo que determinava que o escravo, ao atingir os 60 anos, deveria trabalhar por mais 3 anos, de forma gratuita, para seu proprietário.


A LEI ÁUREA - 1888 - PRINCESA ISABEL

Na época em que os portugueses começaram a colonização do Brasil, não existia mão-de-obra para a realização de trabalhos manuais. Diante disso, eles procuraram usar o trabalho dos índios nas lavouras; entretanto, esta escravidão não pôde ser levada adiante, pois os religiosos se colocaram em defesa dos índios condenando sua escravidão. Assim, os portugueses passaram a fazer o mesmo que os demais europeus daquela época. Eles foram à busca de negros na África para submetê-los ao trabalho escravo em sua colônia. Deu-se, assim, a entrada dos escravos no Brasil.

Processo de abolição da escravatura no Brasil

Os negros, trazidos do continente Africano, eram transportados dentro dos porões dos navios negreiros. Devido as péssimas condições deste meio de transporte, muitos deles morriam durante a viagem. Após o desembarque eles eram comprados por fazendeiros e senhores de engenho, que os tratavam de forma cruel e desumana.

Apesar desta prática ser considerada “normal” do ponto de vista da maioria, havia aqueles que eram contra este tipo de abuso. Estes eram os abolicionistas (grupo formado por literatos, religiosos, políticos e pessoas do povo); contudo, esta prática permaneceu por quase 300 anos. O principal fator que manteve a escravidão por um longo período foi o econômico. A economia do país contava somente com o trabalho escravo para realizar as tarefas da roça e outras tão pesados quanto estas. As providências para a libertação dos escravos deveriam ser tomadas lentamente.

A partir de 1870, a região Sul do Brasil passou a empregar assalariados brasileiros e imigrantes estrangeiros; no Norte, as usinas substituíram os primitivos engenhos, fato que permitiu a utilização de um número menor de escravos. Já nas principais cidades, era grande o desejo do surgimento de indústrias.Visando não causar prejuízo aos proprietários, o governo, pressionado pela Inglaterra, foi alcançando seus objetivos aos poucos. O primeiro passo foi dado em 1850, com a extinção do tráfico negreiro. Vinte anos mais tarde, foi declarada a Lei do Ventre-Livre (de 28 de setembro de 1871). Esta lei tornava livre os filhos de escravos que nascessem a partir de sua promulgação.

Em 1885, foi aprovada a lei Saraiva-Cotegipe ou dos Sexagenários que beneficiava os negros de mais de 65 anos.Foi em 13 de maio de 1888, através da Lei Áurea, que liberdade total finalmente foi alcançada pelos negros no Brasil. Esta lei, assinada pela Princesa Isabel, abolia de vez a escravidão no Brasil.

Lei Áurea
Lei nº 3.353, de 13 de maio de 1888.
Declara extinta a escravidão no Brasil.
A princesa Imperial, Regente em Nome de Sua Majestade o Imperador o Senhor D. Pedro li, faz saber a todos os súditos do Império que a Assembléia Geral Decretou e Ela sancionou a Lei seguinte:
Art. 1º É declarada extinta desde a data desta Lei a escravidão no Brasil.
Art. 2º Revogam-se as disposições em contrário.
Manda portanto a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da referida Lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir e guardar tão inteiramente como nela se contém.
O Secretário de Estado dos Negócios d'Agricultura, Comércio e Obras Públicas e Interino dos Negócios Estrangeiros, Bacharel Rodrigo Augusto da Silva, do Conselho de Sua Majestade o Imperador, o faça imprimir, publicar e correr.
67º do Independência e do Império.
a) Princesa Imperial Regente]

Para vcs conhecerem melhor os caras do nosso trabalho, entrem neste site: http://www.acordacultura.org.br/, procurem os Heróis de todo mundo, lá tem algusn dos que eu coloquei no trabalho.... vale a pena conferir a hsitória do Francisco José do Nascimento, já que o ceará aboliu todos os escravos 4 anos antes do resto do Brasil. Apertem em assista ao episódio que vale a pena, ok?



Principais abolicionistas.

ANDRÉ REBOUÇAS

Engenheiro e Escritor.
André Pinto Rebouças nasceu na Bahia, na Cidade de Cachoeira, em 1838, filho do advogado mulato Antônio Pereira Rebouças, era tão fraco e doente que ninguém supunha que fosse sobreviver. Mas, em 1842, o pai foi eleito deputado e a família se mudou para o Rio de Janeiro. A mudança fez tão bem para André como para o seu irmão, Antônio. E, André Pinto Rebouças, se transformou num dos mais ativos militantes negros do movimento abolicionista, figurando ao lado de “Joaquim Nabuco e José do Patrocínio”. Formou-se em engenharia pela Escola Central no ano de 1860, portanto, com 22 anos de idade. Teve grande participação na Campanha do Paraguai. Ao viajar para a Europa especializou-se em fundação e obras portuárias, permitindo-lhe, quando regressou ao Brasil participar da “construção do Porto da Cidade do Rio de Janeiro”, e de outros portos do País, assim como esteve à frente de projetos de obras ferroviárias e de abastecimento de água.

Foi o “construtor das primeiras docas no Rio de Janeiro, no Maranhão, na Paraíba, em Pernambuco e na Bahia”.

André Rebouças acabou atravessando o Brasil em várias direções e participando também das várias instalações de núcleos de colônias, às margens do Rio Paraná e do Rio Uruguai.

Na sua luta contra o estatuto da escravidão, André Rebouças, funda juntamente com Joaquim Nabuco, o Centro Abolicionista da Escola Politécnica, do qual era um de seus professores.

Como jornalista, escreveu inúmeros artigos sobre a problemática da questão do regime escravo utilizado no manifesto da “Confederação Abolicionista”.

E, como intelectual negro que fez público diversos de seus escritos, através dos quais estudou com profundidade os fundamentos da estrutura agrária em nosso País, em conseqüência do que poderia vir a acontecer com eliminação do trabalho servil, acreditando que o braço emigrante seria capaz de solucionar as dificuldades rurais no Brasil.

A partir de 1872 André se dedicou integralmente ao abolicionismo, influenciando toda a ação do movimento, Era tímido e mau orador, mas segundo Joaquim Nabuco, “teve o mais belo dos papeis, embora oculto: “Foi nosso motor e nossa inspiração”.
Com a proclamação da “República”, André Rebouças exila-se do Brasil e nunca mais retorna ao convívio de seus compatriotas. Viveu seis anos no continente de seus antepassados, na África, visitando particularmente as possessões portuguesas de além mar, fixando-se definitivamente na “Ilha da Madeira”, em Funchal, onde veio a falecer em 1898, com 60 anos de idade.

Morreu solitário, sobre uma grande pedra, em frente ao mar. Não estava apenas só: estava também pobre e amargurado. O exílio, porém, era voluntário. André Rebouças conseguira atingir o maior objetivo de sua vida: A escravidão fora, enfim, abolida do Brasil. Mas o custo lhe pareceu alto demais. Amigo do Imperador D. Pedro II, que venera, da Princesa Isabel e do marido dela, o Conde d’Eu, André Rebouças sabia que abolição fora uma das causas da Proclamação da República, e a República. É claro, destrona os monarcas. Assim, o mulato franzino que fora um dos maiores propagandistas e meticuloso estrategista do movimento pela libertação dos escravos deixou o País no mesmo navio no qual a família real partiu para o exílio.

A morte de D. Pedro II, em 1891, lhe provocou distúrbios emocionais. Na África, André Rebouças, numa jornada louca que o levou a Moçambique, Zanzibar. Foi-se meter no “Transvaal”, onde alimentou o plano delirante de vestir toda a população de 300 mil habitantes. Detalhista como sempre, calculou que seriam necessários “mais de 900 mil metros (de tecidos) a fornecer imediatamente; e como serão indispensáveis seis mudas no verão, 5,4 milhões de metros de pano de algodão por ano”. Achava que o projeto salvaria as fábricas da Europa da bancarrota. Embora capaz dedicar-se a planos tão utópicos quanto vestir toda a população de um país miserável, André Pinto Rebouças era também um homem prático e ativo.

Na história do Brasil fala-se muito dos irmãos Rebouças. Pois, Antônio, seu irmão, também foi um negro notável, chegando a ser deputado, celebrizando-se por ser o construtor, engenheiro que também era, da estrada-de-ferro “Paranaguá- Curitiba (1871-1874). Antônio, nasceu em 1839 em Cachoeira, Bahia, e faleceu em 1874, depois de edificar várias rodovias, como a de Antonina- Curitiba (Estrada de Graciosa), em 1866, tendo ainda participado de outros projetos de envergadura arquitetônica no Paraná e em São Paulo.

Cruz e Sousa (1861 – 1898)

João da Cruz e Souza nasceu em 24 de novembro de 1861 em Desterro, hoje Florinaopolis, Santa Catarina. Seu pai e sua mãe, negros puros, eram escravos alforriados pelo marechal Guilherme Xavier de Sousa. Ao que tudo indica o marechal gostava muito dessa família pois o menino João da Cruz recebeu, além de educação refinada, adquirida no Liceu Provincial de Santa Catarina, o sobrenome Sousa.
Apesar de toda essa proteção, Cruz e Souza sofreu muito com o preconceito racial. Depois de dirigir um jornal abolicionista, foi impedido de deixar sua terra natal por motivos de preconceito racial.

Algum tempo depois é nomeado promotor público, porém, é impedido de assumir o cargo, novamente por causa do preconceito. Ao transferir-se para o Rio, sobreviveu trabalhando em pequenos empregos e continuou sendo vítima do preconceito.

Em 1893 casa-se com Gravita Rosa Gonçalves, que também era negra e que mais tarde enlouqueceu. O casal teve quatro filhos e todos faleceram prematuramente, o que teve vida mais longa morreu quando tinha apenas 17 anos.

Cruz e Souza morreu em 19 de março de 1898 na cidade mineira de Sítio, vítima de tuberculose. Suas únicas obras publicadas em vida foram
Missal e Broquéis.
Cruz e Souza é, sem sombra de dúvidas, o mais importante poeta Simbolista brasileiro, chegando a ser considerado também um dos maiores representantes dessa escola no mundo. Muitos críticos chegam a afirmar que se não fosse a sua presença, a estética Simbolista não teria existido no Brasil. Sua obra apresenta diversidade e riqueza.

De um lado, encontram-se aspectos noturnos, herdados do Romantismo como por exemplo o culto da noite, certo satanismo, pessimismo, angústia morte etc. Já de outro, percebe-se uma certa preocupação formal, como o gosto pelo soneto, o uso de vocábulos refinados, a força das imagens etc. Em relação a sua obra, pode-se dizer ainda que ela tem um caráter evolutivo, pois trata de temas até certo ponto pessoais como por exemplo o sofrimento do negro e evolui para a angústia do ser humano.

Theodoro Fernandes Sampaio

Theodoro Fernandes Sampaio possui uma origem humilde. Descendente de africanos, ou seja, filho de uma pobre escrava nasceu em 07/01/1855 no Engenho Canabrava, numa senzala, no município de Santo Amaro, na Bahia.

Desde pequeno mostrou ter inteligência e facilidade para aprender. Aos 9 anos (1864) foi enviado ao Rio de Janeiro, sendo matriculado no Colégio São Salvador.
Em 1871 ingressou na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, onde se graduaria em Engenheira Civil em 1876, na primeira turma que lá se formou. Durante a faculdade dava aulas de matemática, geografia e latim em dois colégios da cidade. Neste meio tempo, antes de se formar, foi admitido como desenhista do Museu Nacional devido à sua habilidade para o desenho, que anos mais tarde também poderá ser verificada nos inúmeros mapas que confeccionou. No Museu conheceu muitos cientistas estrangeiros, entre eles Orville, eminente geólogo americano, que Teodoro estaria unido por laços profissionais e de amizade pelo resto da vida.

Teodoro Sampaio fez expedições exploratórias pelo Rio São Francisco, onde registrou, na forma de mapas e descrições, os caminhos que percorreu, recolhendo assim material suficiente para elaborar um mapa da região. Suas observações geográficas e topográficas foram muito utilizadas e estudou profundamente nossos minerais, sendo considerado o pai da geologia brasileira.

Trabalhou pelo Governo Federal na Campanha de Canudos. Sob a credibilidade de seu trabalho reviu, a pedido do amigo Euclides da Cunha, todas as descrições geográficas e de paisagem da obra Os Sertões. O nível de detalhes geográficos dessa obra impressionou a muitos.

Em 1879 fez parte da “Comissão Hidráulica” para estudar os portos e a navegação interior do Brasil. Nesta Comissão, “apresentou, estudou e projetou os melhoramentos do porto de Santos, os do Rio São Francisco, no curso superior da Cachoeira do Paulo Afonso, até a de Pirapora, em Minas Gerais”.

Depois disso, trabalhou na Comissão Geográfica e Geológica de São Paulo (CGG) como chefe da Seção de Geografia, convidado pelo amigo Orville Derby, por mais de 6 anos, de 1886 a 1892, dedicando-se aos serviços de campo e de escritório. A partir desta data e até 1900, passou a acumular o cargo de inspetor na empresa canadense The São Paulo Tramway Light and Power Company.

Com Paula Souza, fundador da Escola Politécnica de São Paulo, promoveu a retificação e o saneamento do Rio Tamanduateí, do Parque D. Pedro até a desembocadura no Tietê. Foi diretor, de 1898 a 1903, da Repartição de Saneamento: restaurou o sistema de águas e esgotos e elaborou e executou planos de melhoramento urbanístico.

Foi também um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, manifestando, por inúmeras publicações, seu polifacetismo: além daqueles de cunho técnico, encontram-se trabalhos de geografia, de língua Tupi, econômicos, sociológicos e, principalmente, históricos. Receberam condecorações internacionais pelos reconhecidos méritos de seus trabalhos históricos.

Depois de 18 anos em São Paulo, regressou à Bahia em 1904 para executar as obras de restauração nos sistemas de água e esgoto de Salvador. Tornou-se orador oficial e posteriormente presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, onde produziu cerca de 200 discursos e conferências sobre temas históricos, geográficos, etnográficos e outros. Chegou a recepcionar o então aclamado Rui Barbosa quando este retornou à Bahia, sua terra natal.

Motivado pelos amigos, foi deputado federal, mas sem fazer política partidária, porque o desagradava: Esta atividade “não seduz lá muito aos espíritos que a moral há forrado de escrúpulos”, dizia Teodoro.

Chegou a concorrer a uma vaga na Academia Brasileira de Letras, contra sua vontade, mas por impulso dos amigos. Entretanto não obteve êxito, aceitando a derrota com a humildade que lhe era característica.

Tornou-se inevitavelmente uma celebridade da época devido à sua erudição, competência e simplicidade. Com serenidade de espírito, operosidade científica e o característico labor sem alarde, Teodoro foi um importante personagem na busca pela dignidade dos negros, devolvida somente em 1888. Gilberto Freyre coloca-o em especial destaque junto com outros engenheiros negros, como os irmãos Rebouças.

Passou os últimos anos de sua vida no Rio de Janeiro, onde lecionava gratuitamente aos alunos da Escola Brasileira. Faleceu na Ilha de Paquetá em 15 de outubro de 1937, com 82 anos.

Foi mestre de Euclides da Cunha, como evidenciou Capistrano de Abreu: “O (Alberto) Rangel considera-se discípulo de Euclides da Cunha. Deste foi mestre Teodoro Sampaio”.

Castro Alves

Biografia de Castro Alves, poesias, transição entre o romantismo e o parnasianismo, literatura brasileira no século XIX, obras como Navio Negreiro e Espumas Flutuantes.

Biografia, obras e estilo literário

No período em que viveu (1847-1871), ainda existia a escravidão no Brasil. O jovem baiano, simpático e gentil, apesar de possuir gosto sofisticado para roupas e de levar uma vida relativamente confortável, foi capaz de compreender as dificuldades dos negros escravizados.
Manifestou toda sua sensibilidade escrevendo versos de protesto contra a situação a qual os negros eram submetidos. Este seu estilo contestador o tornou conhecido como o “Poeta dos Escravos”.

Aos 21 anos de idade, mostrou toda sua coragem ao recitar, durante uma comemoração cívica, o “Navio Negreiro”. A contra gosto, os fazendeiros ouviram-no clamar versos que denunciavam os maus tratos aos quais os negros eram submetidos.

Além de poesia de caráter social, este grande escritor também escreveu versos líricos-amorosos, de acordo com o estilo de Vítor Hugo. Pode-se dizer que Castro Alves foi um poeta de transição entre o Romantismo e o Parnasianismo.

Este notável escritor morreu ainda jovem, antes mesmo de terminar o curso de Direito que iniciara, pois, vinha sofrendo de tuberculose desde os seus 16 anos.

Apesar de ter vivido tão pouco, este artista notável deixou livros e poemas significativos.
Poesias de Castro Alves:
- Espumas Flutuantes, 1870
- A Cachoeira de Paulo Afonso, 1876
- Os Escravos, 1883
- Hinos do Equador, em edição de suas Obras Completas (1921)
- Navio Negreiro (1869)
- Tragédia no lar

José Carlos do Patrocínio

José Carlos do Patrocínio era filho de uma escrava alforriada e do cônego João Monteiro. Aos 14 anos deixou a fazenda da família para tentar a vida no Rio de Janeiro, onde chegou a ingressar na Escola de Medicina. Ao fim de alguns anos, porém, abandonou o curso e formou-se em farmácia, em 1874.

Ainda estudante , fundou uma revista mensal, "Os Ferrões", onde começou a revelar seu talento como polemista que o tornaria famoso. Em 1877, ingressou na redação de "A Gazeta de Notícias", onde escreveu diversos artigos de propaganda abolicionista.

Em 1881, com dinheiro emprestado pelo sogro, adquiriu a "Gazeta da Tarde", à frente da qual permaneceu por seis anos. Neste jornal, deu início à campanha abolicionista. Em 1887, fundou a "Cidade do Rio", onde intensificou os ataques à política escravocrata.

Não se limitou a lutar apenas por escrito pelo abolicionismo. Realizou conferências públicas, ajudou a fuga de muitos escravos, organizou núcleos abolicionistas, militando ativamente até o triunfo da causa, em 13 de maio de 1888.

Seu prestígio imenso durante os últimos anos do Império decaiu após a proclamação da República, quando passou a lutar por um programa liberal. Acabou afastado da vida pública. Seu jornal, "Cidade do Rio de Janeiro", foi interditado e ele deportado para Cucuí, no Amazonas, sob a acusação de ter participado de uma revolta contra o governo de Floriano Peixoto.

Libertado pouco tempo depois, afastou-se da vida pública, colaborando esporadicamente na imprensa. Nos últimos anos de vida interessou-se pela navegação aérea, chegando a construir um aeróstato denominado Santa Cruz.

Patrocínio também escreveu obras de ficção, mas sem a repercussão nem o talento do jornalista. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira de no. 21, que tinha Joaquim Serra como patrono. 

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