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28 de fev de 2011

JOSÉ DO PATROCÍNIO – Abolicionista, Jornalista, orador, poeta e romancista (1854/1905)

28 janeiro 2003
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Filho de um vigário da paróquia e orador sacro de grande fama na capela imperial, dono de escravos e fazendeiro (Padre João Carlos Monteiro) e de uma vendedora de frutas Afro-Brasileira Justina Maria do Espírito Santo, José do Patrocínio nasceu em 8 de outubro de 1854 na casa de seu pai em Campos dos Goitacazes na região leste do Rio de Janeiro.



Criado no vicariato de Campos e em uma fazenda da cercania, deixou a casa de seu pai ainda menino, tinha recebido apenas a educação primária, em 1868 para trabalhar e estudar no hospital Misericórdia no Rio de Janeiro. Ingressou na Faculdade de Medicina como aluno de Farmácia, concluindo o curso em 1874.



Sua situação, naquele momento, se tornou difícil, porque os amigos da “república” de estudantes voltaram para suas cidades de origem, e ele teria que alugar outra moradia. Foi então que seu amigo João Rodrigues Pacheco Vilanova, colega do Externato Aquino, convidou-o a morar em São Cristóvão, na casa da mãe, então casada em segundas núpcias com o capitão Emiliano Rosa Sena. José do Patrocínio, foi salvo da miséria por uma oportunidade de dar aulas particulares aos filhos do capitão Sena.



Desde então, passou também a freqüentar o “Clube Republicano” que funcionava na residência, do qual faziam parte Quintino Bocaiúva, Lopes Trovão, Pardal Mallet e outros, mais tarde casou-se com Bibi, filha do capitão Sena.



Com Dermeval da Fonseca publicava os Ferrões, quinzenário que saiu de 1o de junho a 15 de outubro de 1875, formando um volume de dez números. Os dois colaboradores se assinavam com os pseudônimos Notus Ferrão e Eurus Ferrão.



Dois anos depois, em 1877 juntou-se `a equipe da Gazeta de Notícias, onde tinha a seu cargo a “Semana Parlamentar”, que assinava com o pseudônimo Prudhome. Em 1879 iniciou ali a campanha pela Abolição. Em torno dele formou-se um grande coro de jornalistas e de oradores, entre os quais Ferreira de Meneses, na Gazeta da Tarde, Joaquim Nabuco, Lopes Trovão, Ubaldino do Amaral, Teodoro Sampaio, Paula Nei, todos da Associação Central Emancipadora. Por sua vez, Patrocínio começou a tomar parte nos trabalhos da associação, dado `a fôrça de sua habilidade poética tornou-se o símbolo do movimento Abolicionista no Brasil.



Com a morte do dono do jornal, Ferreira de Araújo, em 1881, Patrocinio tornou-se dono do jornal, um presente de seu sogro, o capitão Sena. Ninguem mais qualificado para comandar aquele que era praticamente o único jornal Abolicionista da época. Um orador poderoso nas reuniões Abolicionistas, autor de centenas de escritos sobre a questão do escravagismo, Patrocinio possuia a reputação de reformista rigoroso. Influenciado pelos escritos de Pierre Proudhon, adotou o grito de guerra “Escravidão é roubo” continuando a agir até 1888, acreditando firmemente em sua verdade. Segundo Joaquim Nabuco, Patrocinio era a “expressão de sua época”. Patrocínio tinha atingido a grande fase de seu talento e de sua atuação social. Fundou a Confederação Abolicionista e lhe redigiu o manifesto, assinado também por André Rebouças e Aristides Lobo.



Emotivo, excitado, teatral e romântico, conquistava as platéias tanto em público como através da imprensa com sua lucidez e com seus apêlos emocionalmente poderosos. “Era emoção que o inspirava em seus poderosos discursos”, escreveu Carolina Nabuco, “como se estivesse se jogando aos soluços aos pés da Princesa Imperial em um impulso irresistivel de gratidão. Ele não fazia discursos, interpretava-os com uma fôrça extraordinária, mas (os discursos) tinham ardor comunicativo e espontaneidade vibrante, o que amenizava a dramatização exagerada . . . ”



Em 1882, foi ao Ceará, levado por Paula Ney, e ali foi cercado de todas as homenagens. Dois anos depois, o Ceará fez a emancipação completa dos escravos. Em 1885, visitou Campos, onde foi saudado como um triunfador. Regressando ao Rio, trouxe a mãe, doente e alquebrada, que veio a falecer pouco depois. Ao enterro compareceram escritores, jornalistas, políticos, todos amigos do glorioso filho. Em setembro de 1887, deixou a Gazeta da Tarde e passou a dirigir a Cidade do Rio, que havia fundado. Ali se fizeram os melhores nomes das letras e do periodismo brasileiro do momento, todos eles chamados, incentivados e admirados por Patrocínio. Foi de sua tribuna da Cidade do Rio que ele saudou, em 13 de maio de 1888, o advento da Abolição, pelo qual tanto lutara.



Em 1899, Patrocínio não teve parte na República e, em 1891, opôs-se abertamente a Floriano Peixoto, sendo desterrado para Cucuí. Em 93 foi suspensa a publicação da Cidade do Rio, e ele foi obrigado a refugiar-se para evitar agressões. Nos anos subseqüentes a sua participação política foi pouca. Preocupava-se, então, com a aviação. Mandou construir o balão “Santa Cruz”, com o sonho de voar. Numa homenagem a Santos Dumont, realizada no Teatro Lírico, ele estava saudando o inventor, quando foi acometido de uma hemoptise em meio ao discurso. Faleceu pouco depois, aos 51 anos de idade, aquele que é considerado por seus biógrafos o maior de todos os jornalistas da Abolição.



Obras: Os Ferrões, quinzenário, 10 números. Em colaboração com Dermeval Fonseca (1875); Mota Coqueiro ou A pena de morte, romance (1887); Os retirantes, romance (1879); Manifesto da Confederação Abolicionista (1883); Pedro Espanhol, romance (1884); Conferência pública, feita no Teatro Politeama, em sessão da Confederação Abolicionista de 17 de maio de 1885; Associação Central Emancipadora, 8 boletins. Artigos nos periódicos da época. Patrocínio usou os pseudônimos: Justino Monteiro (A Notícia, 1905); Notus Ferrão (Os Ferrões, 1875); Prudhome (A Gazeta de Notícias, A Cidade do Rio).


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