Instituto
Sumaré de Educação Superior.
Claudia
Fernanda de Mello RA: 1314787
Turma
B-NM
Educação doméstica durante Brasil
Império
Educação doméstica surgiu devido a grande preocupação
que alguns senhores de posses tinham em relação a educação dos seus filhos,
esse conceito e prática de educação eram usadas pelas elites, ou seja, classes
mais favorecidas, que tinham condições financeiras de prover a educação de seus
filhos, se utilizavam desse conceito de educação não só para a educação
elementar, ou seja, para o ensino da leitura, escrita e contas mas também para
a continuidade da formação dos jovens, com conhecimentos específicos, o educar
em casa definiu praticamente o século XIX.
A educação doméstica, como modalidade de educação, pode ser
caracterizada com a atuação de três agentes conhecidos. O primeiro seria os
professores particulares, também chamados de mestres particulares ou mestres
que davam lições nas casas, ensinavam
primeiras letras, gramática, línguas, música, piano, artes e outros
conhecimentos, ministravam aulas a alunos membros da família, ou agregados,
individualmente, nas casas ou fazendas de quem o contratavam. Não habitavam nas
casas, mas compareciam, para ministrar as aulas, em dias e horários
pré-estabelecidos. Eram pagos pela família pelos cursos que ministravam. O
segundo agente atuante, eram os preceptores, mestres ou mestras que moravam na
residência da família, às vezes, estrangeiros, contratados para a educação das
crianças e jovens da casa como filhos, sobrinhos, irmãos menores. Os mestres
preceptores viviam na mesma casa de seus alunos, constituindo-se, assim, dentro
da realidade da educação doméstica, os melhores remunerados eram aqueles que
tinham que viver em casas, fazendas ou balancetes mais abastados. E o terceiro
agente atuante encarregados da educação doméstica, eram membros da própria
família, mãe, pai, tios, tias, avós, ou até mesmo o padre capelão, que
ministravam aulas no espaço da própria casa, não tendo custo algum e atendendo
apenas às crianças daquela família ou de algum parente.
Tinham muitas vantagens ao profissional da educação nas
casas, pois tinham um número reduzido de alunos, os serviços eram melhores
remunerados, pois os professores particulares, poderiam, por exemplo, ensinar
em várias casas e assim ganhavam mais, pois cobravam por hora e dia marcado.
Quanto aos preceptores, além de receberem um valor maior anual, podiam residir
na casa de seus alunos, reduzindo as suas despesas pessoais.
A posição do tipo de educação doméstica, era muito
reconhecida durante a primeira metade do século XIX, tinha uma relativa
importância social, que se referia, na maioria das vezes, à condição da família
em que atuavam e as habilidades que podiam ensinar. As mulheres que trabalhavam
fora do seu lar eram consideradas uma anomalia nessa época, pois eram criadas
para cuidar do lar, trabalhar como preceptora ou professora particular, só era
feito por questão de sobrevivência, ou seja, ou eram viúvas, órfas, ou mulheres
que por alguma situação tinham que se sustentar e ofereciam seus serviços em
anúncios de jornais. De 1830 até 1850, anunciavam-se nos jornais quem estava à
procura de pessoas habilidadas para esinar, como senhor ou senhora, depois
desse período se passa a ser anunciado como professor ou professora, surgindo
assim a essa profissão. Devido a grande
procura e necessidade da elite referente aos serviços de professores
particulares ou preceptores, ou fosse para completar a educação recebida ou
para a aprendizagem de alguma atividade específica, também anunciavam suas
solicitações explicitamente nos jornais.
Em 1860
a maior parte dos preceptores eram composta por mulheres, devido à intimidade
que teriam dentro da casa dos nobres. A partir do final da década de
1870 diante da popularização da profissão, já se era possível observar um
princípio de concorrência explícita entre os anúncios de professores
particulares e preceptores, provavelmente, causada pelo grande número existente
de pessoas dedicadas à educação doméstica. Assim nos anúncios começa a ser
informados, todos os aspectos valorizados anteriormente da pessoa, onde
estudou, quais os cursos que tem, onde trabalhou e também passam a incluir no
anúncio o preço desejado dos seus serviços referentes as aulas e disciplinas.
Outro diferencial que se mostrava nos anúncios, eram a preferência na contratação pelas preceptoras ou
professoras estrangeiras, alemãs,
francesas e suíças, pois elas vinham de países civilizados e com mais
conhecimentos, já que no Brasil a educação não era muito atualizada, depois
davam preferência as brasileiras que moraram e estudaram na Europa, pois
falavam outro idioma e tinham uma educação mais atualizada e diferenciada.
Na educação doméstica, quanto mais diversificadas as matérias
ensinadas pelo professor, maiores eram as chances de ser contratado pelas
famílias, principalmente aquelas que utilizavam preceptores, tornando assim
mais vantajosa a remuneração pelos serviços. Em relação aos conhecimentos
ensinados na educação doméstica, algumas vezes, eram encarregados diferentes
professores particulares, que deveria atender os desejos da família que os
contratavam, pois eram os pais que escolhiam, entre as matérias consideradas
importantes, aquelas mais adequadas aos seus interesses, para que fossem
ministradas aos seus filhos e, a partir daí, procediam à colocação de anúncios
solicitando professores habilitados para tal, ou então, selecionavam, entre os
anúncios existentes, aqueles que lhes pareciam mais apropriados a seus filhos,
tratando da contratação dos mestres.
Para as meninas, tinham que aprender conhecimentos
específicos como bordar, dançar, trabalhos de agulha, tricot, flores, obras de
fantasia, recortar estofos, veludos e outros trabalhos manuais, que eram
oferecidos para serem ministrados por professores particulares e preceptores,
juntamente com as demais matérias que se exigiam para uma boa formação. Quando as/os preceptoras (es)
achavam que seus alunos já estavam preparados para fazerem os exames
preparatórios para o curso secundário eles os liberavam ou seus pais é que
decidiam a hora de dispensar os mestres.
A sociedade Brasileira no século XIX, passa por uma boa
transformação, principalmente referente em relação a população de estrangeiros,
e com a vinda da comercialização de produtos importados, como perfumes e outros
itens, para vender esses produtos as empresas faziam propagandas visando consumidores e com isso as pessoas tinham que
saber a ler essas propagandas e os anuncios nos jornais, que nesse momento aumentaram muito suas publicações, fazendo
assim aumentar mais o interesse das pessoas em consumir e comprar esses produos
divulgados, com a necessidade comercial
passou a surgir diviersos preceptores estrangeiros.
O século XIX, se define praticamente com a educação em casa,
nessa época a obrigatoriedade era que se educasse a criança, e isso não era
necessariamente feito nas escolas públicas devido fatores da desestrutura do
Estado, como o número muito pequeno de professores e com formação longe do
desejado, mas o fator principal sem dúvida foi, a frequencia irregular dos
alunos nas escola, pois não estavam
acostumado a estudar fora de suas casas, muitos tinham dificuldade com a
própria locomoção, assim perante tantas situações diferenciadas e inúmeros obstáculos, e ainda considerando a
distância de onde o aluno mora, a educação na casa acaba sendo o ideal para
completar a necessidade desse aluno em aprender, deixando assim as escolas públicas
quase sem alunos. A aceitação da interferência do Estado na educação foi, no
entanto, um movimento lento e dialético, mas que aos poucos crescia, fazendo
com que as formas de educação doméstica e de educação escolar permanecessem
concomitantes durante todo o Brasil Imperial. Dessa forma, o século XIX foi
aquele em que a escola formal instituída, seja ela estatal ou particular,
afirmou seu estatuto de posturas e possibilidades, destituindo do lugar ocupado
somente da educação na casa, caracterizando o século XX como o cenário da
escola, e instituição de educação e de ensino.
Referências
VASCONCELOS, Maria Celi Chaves. A casa e os seus mestres.
A educação no Brasil de Oitocentos. Rio de Janeiro: Gryphus, 2005.
VASCONCELOS,
Maria C. C. Revista de Histórias.com.br: Rico Aprende em Casa,
06/08/2008 .
Site: http://www.revistaeduquestao.educ.ufrn.br/pdfs/v28n14.pdf Disponível <29-03-2013>. 29-03-2013>
Site: http://www.youtube.com/watch?v=EP2XLe5zPyk Vídeo: Cursos Livres Univesp TV - História do Brasil –
Preceptoras, Disponível <29-03-2013>. 29-03-2013>
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